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Vamos desmistificar os jogos indies

ID@Xbox Indie Os Dummies é que Sabem! Xbox One

Hoje em dia não faltam desilusões e gamers insatisfeitos por tudo e mais alguma coisa, mas sem dúvida uma que causa comichão é a má informação que existe acerca dos jogos indies e a obsessão doida pelos jogos AAA. Há quem considere logo que um jogo indie é sinónimo de fraca qualidade, estúdios pequenos, pouco dinheiro investido, jogos inacabados e, especialmente, pouco conhecidos. Enquanto que AAA são sempre considerados jogos de topo, de grandes empresas, com gráficos espectaculares e realistas.

A verdade é que existem até pessoas que pensam que um jogo indie é um género de jogo qualquer (que sinceramente não sei o que pensam que seja!). Já li, literalmente, pessoas a dizer que não gostam de jogos indies, pura e simplesmente. Bom, não sei quanto a vocês, mas acho que não é bem a mesma coisa que dizer que não gostam de shooters ou RPGs ou RTSs. Digo eu! Depois, a verdade é que muitas pessoas desvalorizam indies e a parte irónica é que nem fazem ideia que estão a jogar jogos indies!

Por outro lado, temos sim pessoas que sabem o que são jogos indies, mas falam deles como se fossem um patinho feio e evitam contacto porque têm algum tipo de alergia e sem manifestar sintomas. É uma descriminação injusta, pois é como se indie fosse sinónimo de lixo.

Sou leiga em quase tudo isto, mas ao fim de quase 2 anos no Xbox PT Dummies, já falei de muitos jogos em notícias, joguei muita coisa diferente, vi muitos tipos de gráficos, estilos de arte, histórias, jogabilidade, fiquei a conhecer o trabalho de alguns estúdios e editoras, mas acima de tudo, percebi que nada importa de onde vens, o que gostas ou fazes. Jogos feitos com paixão e amor são obras primas e têm muita alma, independentemente dos seus defeitos e muito menos interessa se são indies ou AAA.

Alguém diria que Wreckfest é um jogo indie pelo aspecto? Não. Talvez só mesmo porque poucos ouviram falar nele!

Mas enfim, de volta ao tema em questão. Que tal vermos primeiro afinal o que são jogos AAA e jogos indies?

Indie – abreviatura de “independente”. Aplica-se na indústria artística e cultural a todas as entidades que não possuem contractos de publicação ou distribuição com “grandes” empresas.

Jogos Indies – são jogos feitos por pessoas ou estúdios que geralmente são mais pequenos e não têm o suporte financeiro de publicadores maiores. Também podem ser considerados jogos indies os projectos que até são financiados por publicadoras mas não são influenciados por elas, tendo controle total da sua parte criativa, portanto, com independência e liberdade para o desenvolver. Por não terem estatutos importantes, muitos estúdios indies acabam por arriscar mais que grandes empresas, acabando por trazer experiências únicas. Vale lembrar que “indie” é um abreviado de “independente”, portanto um estúdio pode ser grande, ter grande orçamento e equipa e ser na mesma indie.

Jogos AAA – são jogos feitos e distribuídos por publicadoras de tamanho médio ou maior, tendo geralmente um orçamento de desenvolvimento e marketing maior. AAA funciona também como uma analogia ao termo blockbuster utilizado na indústria do cinema. Existe também o termo AAA+, utilizado para descrever jogos AAA que acabam por gerar mais conteúdo e, consequentemente mais lucro com o tempo, com Season Passes, ou DLCs (geralmente MMOs). Há ainda o termo III (três is) que é usado para descrever empresas indies com trabalhos de alta qualidade.

A maioria dos estúdios da Xbox são indies, como Mojang, Ninja Theory, Double Fine, Obsidian Entertainment ou inXile.

Ora, vamos primeiro por meio de exclusão que, ao contrário do que possa parecer, começa pelos AAA. Afinal quais os estúdios considerados, por norma, como grandes ou médios? Temos os estúdios da Xbox Game Studios como 343 Industries, The Coalition e Turn10. Estúdios da Sony como Naughty Dog ou Santa Monica Studio. Activision, Electronic Arts, Bandai Namco, Ubisoft são considerados grandes empresas, seguidas pelas “médias” Capcom, SEGA, Konami, 505 Games, THQ Nordic ou Focus Home Interactive. E que jogos temos? Franchises de Halo, Gears, Forza, Uncharted, Last of Us, God of War, Call of Duty, Need for Speed, Battlefield, Dragon Ball, Monster Hunter, Sonic, PES, e por aí fora. Claro, muitas destas empresas acabam por publicar jogos indies, por vezes através de outros programas ou até mesmo directamente. Nos Xbox Game Studios, temos a Compulsive Games, Double Fine e Ninja Theory, por exemplo. A EA publicou jogos como A Way Out, Fe, Sea of Solitude e Unravel/Unravel 2.

Muitos indies passam por AAA por causa do tamanho da equipa por detrás dos jogos, do orçamento gasto ou pelo simples facto de serem publicados por grandes empresas. Mas vale notar que a maioria das empresas acabam por publicar muito mais jogos indies do que AAA.

Outros estúdios são independentes, tornando os seus jogos, no fundo, indies. Desde que a Bungie se separou da Activision, por exemplo, tornou-se um estúdio independente. No entanto, dificilmente diremos que Destiny é um indie, até porque foi publicado com a ajuda da editora, mas se sair um Destiny 3 entretanto, este será um indie com qualidade acima de muitos outros indies pelas diferenças de orçamento e equipas, mas um indie. O mesmo pode ser aplicado ao Witcher 2 e Witcher 3. Afinal, a CD Projekt Red é indie. Por muito dinheiro que possa investir, se publica os jogos por si mesma, é uma empresa independente, ou seja, indie. E sabem que mais? O antecipado Cyberpunk 2077 é indie! De certa forma… Mas dificilmente se vê tal termo ao lado de um jogo desses pois ninguém olha para a CD Projekt Red e pensa “jogos fracos de baixo orçamento”.

Mas importa ser indie ou importa ser fixe? Children of Morta é um jogo que me despertou interesse desde que o conheci na E3 2018 e lança muito em breve!

O termo acaba por não ter grande concordância e não estar muito claro, aliás, a única coisa clara é que não há grande concordância. Há quem considere que sejam jogos abaixo de determinado valor de orçamento e/ou número de membros da equipa, há quem considere que seja tudo o que for publicado de forma independente ou há quem considere que sejam os jogos com criatividade livre independentemente de quem os publica, se for outra empresa exterior à que faz o jogo. Confesso que até a mim irrita um pouco não haver nenhuma definição igual em lado algum. Parece que o termo ainda nem sequer tem uma definição específica oficial. Aliás, até pode ter, mas nem é aplicado! Porque uns estúdios auto-proclamam-se indies e outros não (embora o sejam).

343 Industries e CD Projekt Red não são considerados altos estúdios como Electronic Arts ou a Bandai Namco. A 343 contava com 450 membros em 2016. A CD Projekt tinha 887 em 2018! Mas se formos a pegar na Electronic Arts, já vai 9.300 (2018)… A Ubisoft? 13.742! Estão a ver a diferença? Sim, claro, a EA e a Ubisoft têm vários pequenos estúdios. DICE, EA Vancouver, Ubisoft Montreal… Mas lá está, são GRANDES empresas. Mas depois olhamos para Bandai, que também produz e publica jogos AAA, e tem apenas 710 trabalhadores, menos que a CD Projekt. No entanto, factura muito mais, algo que reparam se consultarem os rankings das empresas gaming que mais facturam todos os anos, estando sempre a Ubisoft, Activision, EA, Microsoft, Sony Interactive Entertainment e Nintendo algures pelo meio. Mas afinal o que são grandes empresas? Baseia-se no número de trabalhadores ou no valor que trazem para o mercado?

Conclusão? Nem sequer vale a pena pegarem no termo como um rótulo de um jogo. Apenas vos diz que foi feito por uma equipa mais pequena (à partida) ou com menos orçamento (também à partida!). Se nem parece haver um consenso da linha que separa um jogo indie de um AAA, afinal tanta gente recusa indies porquê? Não olhem para os rótulos. Olhem para os jogos!

Um jogo que poderia ser de tantos estúdios que ocorrem, mas é do Asobo Studio, publicado pela Focus Home Interactive. A Plague Tale é um indie.

Agora vamos à parte mais engraçada. Uma lista de jogos indies abaixo que muitos já afirmaram não terem ideia que eram indies e outros provavelmente ficarão surpreendidos. Vai uma aposta? A maioria das pessoas consegue logo distinguir que Super Lucky’s Tale, Cuphead, Ori and the Will of the Wisps, We Happy Few, Unravel, Little Nightmares, Celeste e Dead Cells são indies. Mas e jogos que requerem mais orçamento, não são propriamente “apenas” jogos de plataformas ou com desenhos ou gráficos não realistas, mais complexos?

Eis alguns exemplos:

  • A Plague Tale: Innocence
  • Age of Wonders: Planetfall
  • ANCESTORS: The Humankind Odyssey
  • Ark: Survival Evolved
  • Assetto Corsa
  • Atomic Heart
  • Blair Witch
  • Cities: Skylines
  • DayZ
  • Dead by Daylight
  • Deliver Us The Moon
  • Earthfall
  • Friday the 13th: The Game
  • Frostpunk
  • Ghostbusters: The Video Game Remastered
  • Hellblade: Senua’s Sacrifice
  • Layers of Fear
  • Layers of Fear 2
  • Minecraft
  • Minecraft: Dungeons
  • Mutant Year Zero: Road to Eden
  • No Man’s Sky
  • Osiris: New Dawn
  • Outlast
  • Outlast 2
  • Phoenix Point
  • Remnant: From the Ashes
  • Rocket League
  • SAMURAI SHODOWN
  • Sniper Elite 4
  • Stellaris: Console Edition
  • The Dark Pictures: Man of Medan
  • The Outer Worlds
  • The Witcher 3: Wild Hunt
  • Vigor
  • Wasteland 3
  • World War Z
  • Wreckfest

Sim, normalmente as pessoas não acreditam que Ark: Survival Evolved foi feito por um estúdio indie.

Então, alguma surpresa?

Isto foi apenas para tentar esclarecer alguma desinformação. Porque, pelo menos para mim, não importa se são feitos com um orçamento grande ou pequeno. Já vi grandes empresas deitarem milhões ao lixo com mau aproveitamento em jogos AAA e equipas de 10 pessoas ou até 1 a fazerem jogos que deixam impacto. Para todos os gostos e feitios, jogos indies que adorei? Seja porque adorei mesmo ou porque notei o esforço neles? É só escolher… Dead Cells, Earthlock, Etherborn, Hollow Knight: Voidheart Edition, Trüberbrook, Unravel, a lista continua. Se duvidam da lista, aconselho a pesquisarem e verem por vocês próprios. E a explorarem a lista interminável de jogos publicados através do programa ID@Xbox.

Nomes, dinheiro, marcas, fama, equipas, tudo isso se torna indiferente. Os jogos não são bons ou maus por serem indies ou AAA. Eu? Prefiro apenas apreciar os que são apresentados, independentemente da sua origem. E aconselho todos a fazer o mesmo, especialmente os que se deixam espirrar só pela palavra “indie” ao lado. Não percam experiências únicas por preconceitos idiotas. Poderão ficar muito surpreendidos com o que encontrarem!

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Fundadora do projecto Xbox PT Dummies, Escritora, Reviewer e Designer

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