Review – Two Point Hospital – 9.5/10

Catarina Ferreira

DATA DE LANÇAMENTO 25 de Fevereiro de 2020
ESTÚDIO
Two Point Studios
EDITORA SEGA
SINGLE-PLAYER  ✅
MULTIPLAYER ONLINE 
MULTIPLAYER LOCAL 
CO-OP ONLINE 
CO-OP LOCAL 

CATEGORIA Estratégia, Gestão, Simulação
PREÇO 39,99€
PLATAFORMA ONDE FOI JOGADO Xbox One X
OPTIMIZAÇÕES PARA A XBOX ONE X Xbox One X Enchanced
SITE OFICIAL

por Catarina Ferreira
CATpt93TAC

Finalmente! Dois anos depois do anúncio de Two Point Hospital (uma notícia da qual me orgulhei imenso fazer, pois quando começaram a dar pistas e tudo a gente assumia uma Dreamcast nova da SEGA, fiz um trabalho de detective excepcional e percebi o que vinha aí…), e sempre a pensar que adoraria escrever sobre este belíssimo jogo, aqui estamos.

Curiosamente, quando chegou a hora, veio tudo a descambar. Tive que cessar o trabalho dos Xbox PT Dummies, atrasei a review porque tive uma gastroenterite, após horas de jogo um crash decidiu apagar-me o save, e agora está tudo em quarentena por causa do COVID-19. A vontade não é muita, confesso, embora este jogo mereça toda a atenção. Lá meti uma playlist no Youtube com a banda sonora do jogo e toca a tentar escrever! Além de servir de inspiração, cala-me as vozes na cabeça… ahem, perdão. Abafa o aspirador que a empregada está a usar, queria dizer. *cof cof*

Parece um remake visual de Theme Hospital. Olhem os jardins!

O motivo que leva muitos a experimentar Two Point Hospital tem um factor essencial em comum: Theme Hospital. Tal como milhares de jogadores pelo mundo que tiveram a oportunidade de jogar o título de 1997 da falecida Bullfrog, fiquei em êxtase quando anunciaram este sucessor espiritual. Uma coisa posso garantir: é mesmo aquilo que sonhavam! Muitos simuladores surgiram após os icónicos jogos de simulação da Bullfrog, mas nenhum parecia recriar o que tornava Theme Hospital tão único.

O seu humor negro saudável, as suas doenças estranhas com curas impressionantes. Curava-se os coitados de cabeça inchada com Bloaty Head, ao espetar uma agulha e depois encher que nem um balão. Os desgraçados com língua gigante tinham Slack Tongue, e iam ao corte. O simulador da Bullfrog era tão difícil que nunca joguei sem cheats… Nem tentei. Dêem-me um desconto, vá. Eu nasci em 93! O jogo saiu em 97! Metia o código no fax, confirmava, aquilo lá apitava, e depois lá fazia CTRL + C sem parar e a estúpida da announcer a chibar-se toda “Hospital Administrator is cheating“!  Mas não usei cheats neste. Aliás, se existem, nem os conheço.

Ah… Nostalgia!

Felizmente, devs que trabalharam na Lionhead Studios e Bullfrog Productions juntaram-se como Two Point Studios para começar um novo legado de simuladores em volta de Two Point County, com Two Point Hospital na lide. Ficaram confusos? Esperem até começar a mencionar a Two Point Radio. E não meto as mãos no fogo por ninguém, mas se não criarem um Two Point Park, vou chatear-me.

As parecenças entre o jogo de 1997 e de 2018 são imensas. Two Point Hospital torna-se o verdadeiro sucessor de Theme Hospital em todos os sentidos, com o seu próprio estilo e inovações muito interessantes. Podem contar com um humor fantástico desde as doenças estranhas, às suas curas e animações ponderadas em todas as salas, máquinas e comportamentos humanos. A conhecida announcer, os terramotos, as máquinas que se estragam, os médicos, enfermeiros e janitors! Até a carta que aparecia quando alcançávamos todos os objectivos para terminar o nível.

Two Point County possuí 5 zonas diferentes, cada uma com 3 hospitais únicos com desafios distintos. A monotonia não existe, pois há sempre novas doenças para descobrir, investigação a fazer, conteúdo a desbloquear e desafios entusiasmantes! Como o Kudosh, uma moeda virtual que nos incita a completar objectivos para comprar itens bem úteis. Há uma progressão crescente ao longo do jogo, onde vamos conseguindo novos objectos ou salas, como Marketing e Café, um pouco depois das salas de Treino e Investigação, que já existiam em 97. Os pessoal que trabalha no hospital tem um leque variado de competências que pode aprender, desde Ward, a Tratamento, a Diagnose, a Inteligência Emocional, Atendimento ao Cliente, Captura de Fantasmas, e muito, muito mais! As surpresas são muitas, e valem bem a pena.

Pff, exibicionista.

A forma como se pode jogar dá bastante liberdade. Em cada nível, podemos ter 3 estrelas, que são alcançadas quando cumprimos determinado tipo de objectivos, diferentes para cada hospital. Estes objectivos podem ter a ver com a reputação, número de pacientes curados, percentagem de cura, atractividade do hospital, valor do hospital, entre outros. Só é preciso uma estrela para desbloquear o próximo hospital, mas podemos continuar ou voltar mais tarde. Até dá para recomeçar qualquer nível específico sem perder o progresso nos outros. Isto é óptimo, pois assim cada um pode adaptar-se à sua maneira e progredir como entender.

A gestão de cada hospital também tem bastantes factores. A única coisa que nos pode assustar é se o hospital entrar em falência, o que acontece se atingirmos -$300.000 na nossa conta. De resto, há um role de coisas a vigiar. O contentamento dos trabalhadores e dos pacientes, a taxa de cura, a constante procura em melhorar as instalações e qualificações do pessoal. O hospital deve estar limpo e providenciar tudo o que é necessário, o que engloba não só o lixo no chão que pode ser provocado por falta de caixotes de lixo, como a manutenção nas casas-de-banho, plantas a serem regadas constantemente, máquinas de comes e bebes a serem reabastecidas, ar condicionado a ser arranjado e ainda divertimento suficiente para que ninguém se aborreça. Existem ao todo 12 filtros de satisfação! Incluindo de temperatura, que não é apenas influenciada por aquecedores, como ar condicionado que arrefece as zonas mais quentes. Até há objectos que aumentam a taxa de tratamento ou diagnose, e até o prestígio da sala ou hospital, dando aos trabalhadores muito mais razões para sorrir e não ameaçarem despedir-se a toda a hora!

Muito bem. Andam a beber. Acho bem!

Para melhor reputação, convém curar mais doentes do que matar. O problema é que com pessoal sem qualificações suficientes, salas simples ou máquinas sem upgrades, vai ser difícil ter sucesso. Acaba por ser preciso investimento nestas áreas, que pode variar consoante a estratégia de cada um. Não há uma fórmula certa para tudo, e isso torna as coisas mais interessantes.

Além da investigação e desbloqueio de objectos ou upgrades feitos ao conseguir mais estrelas para tornar as máquinas mais resistentes e com poder de tratamento ou diagnóstico maior, uma das ferramentas mais poderosas reside precisamente nos trabalhadores. Além das salas de treino, que nos dão bastante liberdade para planear o caminho de cada um, ainda podemos designar objectivos específicos. Em vez de termos, por exemplo, 2 médicos com competências de tratamento, 3 de diagnose e 1 de psiquiatria, todos a trabalhar em qualquer sala, pode-se obrigar o psiquiatra a trabalhar apenas em Psiquiatria, 3 em salas de diagnóstico e os restantes em salas de tratamento. Isto acontece também com os Enfermeiros, Assistentes e Janitors. Quando as casas-de-banho andam tão entupidas que os pacientes fazem tudo cá fora (sim, TUDO), há a possibilidade de colocar 2 ou 3 janitors a limpar apenas sanitas e em pouco tempo já está tudo livre!

Pode-se também mexer no valor das consultas e tratamentos, pedir empréstimos, lançar campanhas de marketing gerais ou para algo em específico, enfim, é tanta coisa que só dá mesmo para aconselhar a sua exploração. Go nuts!

Isto deixa-me sempre um pouco perdida…
Adoro.

Em termos de gestão, é um jogo bastante sólido. Quanto à essência de Theme Hospital, bom… não falha! Primeiramente, não esperem ter exactamente as mesmas doenças que encontram no jogo da Bullfrog. Há muita coisa nova para dar! Pacientes com uma lâmpada na cabeça acabam por desatarraxar o seu momento eureka do pescoço e levam com uma cabeça nova impressa a 3D. São os Light Headed. Podia-se fazer aqui um trocadilho entre luz e leve… Em vez dos pseudo-Elvis com King Complex, temos uns incríveis pseudo-Freddie Mercury com Mock Star. Já que falamos de complexos, há o Emperor Complex, onde em vez de pseudo-Elvis, temos pacientes que andam nus, porque acreditam estar vestidos, usando apenas um lacinho ao pescoço, sapatos e uns pixeis manhosos a desfocar. Palhaços com Jest Infection, que são obrigados a ver o mundo mais triste ao curarem-se no Dehumorfier (Deshumorficador?). Ei, isto quase que resulta também em português! Pessoas com corpos daltónicos sofrem de Grey’s Anatomy (Anatomia de Grey ≈ Anatomia Cinzenta). Perceberam a referência? Perceberam?

Enfim, múmias, mimos, e muito mais. Não faltam doenças estranhas! Ah, e adoro quando na cirurgia se metem a tirar patos de borracha e afins…

Seria de pensar que me mete confusão esta gente toda. Mas até gosto de coisas coloridas. Não… O que me irrita o TOC é mesmo aquela planta por regar!

Enquanto observamos o inevitável caos dos nossos hospitais, temos música que insiste em ficar no ouvido e os anúncios feitos por uma personagem feminina tal e qual como acontecia em Theme Hospital. Desta vez, avisa os pacientes para não dar de comer aos fantasmas, e pede desculpa pelo lixo deixado por eles mesmos. Há centenas de linhas de diálogo… A novidade no áudio em Two Point Hospital é a Two Point Radio, que é de onde surge a música ambiente e onde, por vezes, ouvimos anúncios a produtos ou empresas de seguros (bem irónico…), ou os desabafos dos anfitriões que lá trabalham. Outro dia ouvi algo como… “I’ve got a very close thing to my heart. My left lung.” (= Tenho uma coisa muito próxima ao meu coração. O meu pulmão esquerdo.) É um fantástico voice-acting, garanto!

Os terramotos continuam, mas desta vez as máquinas pegam fogo e os extintores servem mesmo para alguma coisa. Felizmente, quando as máquinas explodem, não ficamos sem uma área do hospital como acontecia no Theme Hospital. Mas, claro, perdemos dinheiro ao substituir a máquina por uma nova e ainda termos que repetir os upgrades todos… Mas terramotos não é tudo. Há também tempestades eléctricas e erupções vulcânicas. As epidemias voltaram, mas aqui não são evidentes. Cada uma se caracteriza por um comportamento específico, como andar à múmia ou como se andassem a correr à snobe ou assim. As primeiras são fáceis de controlar, mas mais para a frente comecei a suar e a pensar no actual estado do COVID-19… Acreditem, o jogo ainda vai dar algumas catástrofes. Mas vai ficar tudo bem. Faz parte!

It’s fine. Everything is fine.

O jogo tem um bom sistema de construção e colocação de salas e itens. Cada área tem um requisito mínimo de “quadrados” e, a partir daí, pode-se ter bastante liberdade. Isto dá muito jeito, especialmente para aproveitar alguns cantos e áreas mais apertadas onde se pode colocar Toilets para o pessoal deixar de encher os corredores com poças amarelas e chouriços (nojo…), ou Staff Rooms para os trabalhadores relaxarem nos sofás ou ver TV.

Nisto o jogo funciona bem até em consola, com um mapa de comandos ao qual nos habituamos facilmente. Claro, em certa medida, no PC é mais simples e rápido, mas como tudo, é uma questão de hábito. Até podemos copiar directamente alguns itens em vez de termos que aceder sempre à lista de objectos para ir decorando o hospital. E as várias opções disponíveis são muito entusiasmantes.

Infelizmente, não apreciei algumas das mudanças. No PC, por exemplo, temos a possibilidade de observar o hospital de bastante longe e ainda manter o visual 3D, mas na consola, não dá para ver muito num só ecrã. Por outro lado, temos uma visão em modo planta, que dá jeito para planear a expansão do hospital e observar as zonas ainda disponíveis para comprar (embora gostasse de poder ver onde ficarão as diferentes entradas!). Em modo planta, os fantasmas também aparecem. Quase que dava para meter lá o Pac-Man e comê-los.

Ignorar o lixo, por favor.

É nos comandos que também se nota pequenos bugs. Por exemplo, o cursor consiste numa circunferência gigante com um ponto central. Sinceramente preferia apenas um ponto no centro, pois nem sempre conseguimos destacar o objecto/pessoa que queremos seleccionar e torna-se irritante.

Sinto também a falta de algumas opções, nomeadamente na selecção de doentes nas filas de espera. Joguei bastante no PC antes desta versão sair para consolas, e uma das coisas que fazia era verificar as filas de espera e dar prioridade aos casos mais urgentes. Aqui faz-se bem, mas se surgir alguém com diagnóstico suficiente para tratamento, ou alguém prestes a morrer que poderia mandar embora por algum motivo, não posso seleccionar o doente de forma individual para ver a informação dele. Tenho que aceder à lista dos pacientes no menu, antes ou depois de gerir prioridades. Não é fácil.

Nisto, há também momentos que desejava poder acelerar ainda mais do que aquilo que é possível.

Pena não dar para fazer zoom-out desta maneira…

Com a versão da consola, temos direito aos dois primeiros DLCs: Pebberley Island e Bigfoot! Cada um com 3 novos hospitais, dezenas de doenças novas, assim como itens. Cada um com a sua história e tema, trazem também novos desafios! O clima tropical apresenta-nos pessoas papagaio, sem cara, com orelhas de couve-flor ou dedos de camelo, entre outras variações da condição humana, e ainda somos banhados com tornados de água, queda de sapos e tempestades de raios solares. Há algumas ideias interessantes postas em prática, como a expansão do hospital por conquista de objectivos específicos em vez de gastar dinheiro, num terreno totalmente ao ar livre, ou o 3º hospital, Topless Mountain, que nos força a lidar com hordas de doentes!

Já o primeiro DLC leva-nos aos confins invernais de Two Point County, onde teremos de lidar com tempestades de granizo e até avalanches, assim como as constantes aparições fantasmas a espalhar ectoplasma por todo o lado no Roquefort Castle, onde podemos expandir um hospital gigante! Do lado das doenças, temos pessoas armadas em cães com pulgas, pseudo-Shakespeares e até Frankensteins…

Enfim, são duas óptimas adições ao jogo base, providenciando ainda mais horas de diversão e algumas dores de cabeça. Falta saber quando podemos encontrar extraterrestres em Close Encounters e tornar-nos verdes no mais recentemente anunciado (e prestes a sair no PC) Off the Grid. No futuro, espero que os lançamentos de DLCs e novo conteúdo sejam em simultâneo.

Quem raios é que organiza hospitais tão maus?!

Two Point Hospital teve um bom port para as consolas, exceptuando os constantes crashes iniciais, um dos quais chegou a apagar o meu save que já tinha bastantes horas… Felizmente, já saiu um patch, mas ainda sofri com outro crash, embora não pareça ter provocado estragos. O mapa de comandos surpreende pela positiva. Nunca foi tão fácil jogar um título de gestão, simulação e estratégia numa consola, e não esperava isso! O jogo é o sucessor espiritual perfeito de Theme Hospital no humor, música e pormenores como a estranheza de tudo e a announcer. Simplesmente tudo o que esperávamos e ainda mais.

Falta apenas juntar-se a algumas tendências disponíveis na versão do PC, como o Interior Designer, Sandbox e The Superbug Initiative. Além de ter espaço para muito mais ideias. Salas de espera, por exemplo? Poder personalizar ainda mais o hospital? Seja como for, a comunidade de fãs é incrível e o mesmo amor e atenção deveriam chegar às consolas.

Fico à espera de um Two Point Hospital 2 para daqui a 22 anos, mas estou ainda mais curiosa por conhecer os próximos projectos. Two Point Park? Two Point Zoo? (Não se calam com o zoo na rádio… e imagino já leões a fugir e morder janitors…, ou pinguins a passarinhar e a cumprimentar os restantes animais?). Two Point Prison? Quem sabe!

Um grande OBRIGADO por tornarem este sonho realidade.

RESUMO

Prós
• Tutorial e guias bastante bons.
Bom mapeamento de comandos e fluidez.
• Fantástico sucessor espiritual de Theme Hospital como um todo.
• Bom humor.
• Two Point Radio.
• Imenso conteúdo, desde doenças a salas, itens, hospitais e desafios.
• Animações planeadas ao pormenor! Lindo…

Contras
• Provocava alguns crashes.
• Zoom-out limitado.
• Cursor irritante.
• Precisa de mais opções de atalhos nos comandos.
• Poucas opções de personalização de salas.

Pontuação final: 9.5/10

A equipa do Xbox PT Dummies agradece à Ecoplay e SEGA pelo envio do código do jogo para a realização desta review.

5/5 (1)

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