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Review – Lovecraft’s Untold Stories – 8/10

ID@Xbox Indie Reviews Xbox One Xbox One S Xbox One X

DATA DE LANÇAMENTO 10 de Maio de 2019 
ESTÚDIO
LLC Blini Games
EDITORA BadLand Publishing
SINGLE-PLAYER  ✅
MULTIPLAYER ONLINE
MULTIPLAYER LOCAL 
CO-OP ONLINE 
CO-OP LOCAL

DLC 

CATEGORIA Ação, Aventura, ‪RPG‬, Estratégia
PREÇO 14,99€
PLATAFORMA ONDE FOI JOGADO Xbox One X
OPTIMIZAÇÕES PARA A XBOX ONE X
SITE OFICIAL

por Hugo Urbano
Kaizord

Lovecraft’s Untold Stories – “Aí, aí, aí, que ´tou a ficar demente!”

Lovecraft’s Untold Stories assume-se como um jogo roguelite de acção com elementos RPG. Baseado em histórias de H.P. Lovecraft, assumimos o papel de uma das personagens disponíveis e vamos à procura de pistas e informações para eventualmente vencer os Old Gods. Até aqui tudo bem, é uma premissa bastante apelativa à minha pessoa e pelo preço (14,99€) estava bastante expectante para poder colocar as mãos/comando neste jogo. Será que conseguiu surpreender? Venham comigo para mais uma review!

Para quem conhece o universo do Mythos, as suas histórias, criaturas e simbolismos, Lovecraft’s Untold Stories é um jogo que consegue incorporar todos os pontos positivos dessas história, num só lugar, neste caso num só videojogo.

Inicialmente começamos o jogo com um detective, fiel ao seu mentor, que decide investigar pistas sobre os acontecimentos terríveis numa mansão vitoriana em Providence. A jeito de tutorial, mal começamos a manusear a nossa personagem, o jogo oferece algumas dicas sobre os principais movimentos e tarefas a fazer nos níveis processualmente gerados do jogo. Desviar, disparar, investigar/interagir e gerir o nosso inventário são as acções mais comuns ao jogo e apesar dos movimentos estarem fluidos e bem animados, não consegui deixar de sentir que os tiros e a gestão do inventário poderiam ter sido trabalhadas um bocadinho mais. No primeiro, muitas vezes ao virar de posição muito rápido, um dos dois tiros possíveis da nossa caçadeira simplesmente não atingiam o inimigo (ou se atingiam, não eram notórios com dano/animações), resultando em alguns combates mais frustrantes, no entanto, depois de se lhe apanhar o jeito consegui perceber o timing de virar a personagem e consequentemente disparar. Já a gestão de inventário, na minha opinião, é um dos pontos mais fracos do jogo. Bastante limitada, somos carregados com demasiados itens para apanhar e levar connosco para desbloquear as áreas bloqueadas principais, deixando toda uma fortuna e outros itens para trás. Compreendo que esta mecânica permite tornar o jogo mais “hardcore” e provavelmente mais tenso de uma maneira, mas por outro lado, quebra completamente a imersão quando estamos quase a perder a sanidade (dentro do jogo) e só nos queremos “despachar” para investigar mais e descobrir mais sobre todo este mundo oculto.

(Começamos o nosso primeiro playthrough com o Detective John “Salta-Pocinhas” Murphy. Como é que eu sei que ele efectivamente salta poças? Não sei, mas isto não é negociável. Aceitem o novo nome deste senhor. Os devs também. Toda a gente.)

Mecânicas chatas à parte, todas as restantes estão muito bem implementadas em Lovecraft’s Untold Stories. Neste jogo existem várias maneiras de morrer ou perder o jogo. Além da normal morte quando a vida chega a zero, podemos também perder a sanidade, ficar envenenados, queimados, entre outros. Digo-vos já que não faltam maneiras de perdermos! Desde armadilhas, inimigos do oculto, cultistas que deveriam era estar a adorar coisas mais benignas e bosses completamente incríveis… É uma tensão enorme avançar de quarto para quarto sem saber o que nos espera do outro lado. Já a sanidade, acredito que acrescenta um “je ne sais quoi” ao premiar e/ou punir vários estilos de jogo diferentes. Uma das primeiras presenças com esta mecânica que tive foi ao encontrar um livro sobre o oculto. Ora, como estamos inicialmente com o detective, temos a opção de pesquisar ou investigar mais sobre alguns dos objectos (outras personagens têm outros talentos e afinidades) e como sou uma pessoa bastante curiosa e literalmente queria mesmo saber mais do que vinha naquele livro… Bem, recebi essa informação à troca da sanidade do meu personagem. Fantástico! Igualmente carinhoso é a maneira como depois nos podemos livrar de alguns níveis de insanidade. Uma das mais marcantes para mim foi certamente observar um pássaro, sentir-me em paz e o jogo recompensou-me da mesma maneira, mantendo-me o mais sano possível. No entanto, como podem ter percebido acima, as vezes em que submeti o meu caro amigo detective à loucura foram muito mais vezes do que aquelas em que ele se manteve um cidadão comum.

Creio que este é um dos principais pontos chave, que apelam à continuação do jogo e a ficarmos colados ao ecrã. Há um misto de curiosidade, terror, acção e elementos RPG que fazem com que esta grande mistela de géneros e fantasia encaixe quase na perfeição. Alguns dos puzzles são igualmente interessantes, outros… errrr nem por isso. Confesso que não sou a pessoa mais atenta do universo, mas bastantes vezes tive que parar e realmente pensar onde já tinha andado e que pudesse me ajudar a desbloquear o caminho. Algumas dessas vezes, seriam com um item já deixado para trás em favor de outros, outras vezes eram quartos beeeem lá atrás, no início do cenário. Porém, não considero a experiência nada negativa na sua essência, mas gostava que o jogo mantivesse o seu ritmo desde o início ao fim… Será que estou a pedir muito? Talvez! Por isso mesmo é que gostei da experiência, por achar que tinha um enorme potencial. Adiante!

(Tão bonito ao inicio… Ainda me lembro quando tirei este primeiro screenshot… Até o inventário ficar cheio de livros inúteis à minha demanda. Ahh, como eles crescem tão rápido.)

Com as outras cinco personagens, existe diversidade suficiente para elevar Lovecraft’s Untold Stories mais uns pontos. Além do detective, temos também: o ladrão, o professor, a bruxa e o ghoul. Cada uma destas personagens oferece poderes únicos e mais uma vez distintos de cada um dos outros. Além de uma “skin” e habilidades diferentes, os níveis mudam consoante a personagem com que estão a jogar. A história de Lovecraft’s Untold Stories não é de todo exemplar, mas para o que o jogo quer oferecer em termos de experiência, é suficientemente aliciante para repetir uma e outra vez com diferentes personagens.

Já que estamos numa de variedade, não poderia deixar de escrever sobre os diferentes tipos de inimigos presentes neste título. Existem mais de 100 tipos diferentes e todos eles adicionam várias vertentes ao jogo, seja terror, tensão e/ou dificuldade. Até o pobre cultista lá de cima apresenta-se em forma no início do jogo. Para quem jogar com headphones, os seus cânticos ou chamamentos estão muitíssimo bem produzidos e desenhados, além de adicionarem muita tensão ao ambiente e combate! “Ui Kaizord, já vais falar do som?” Vou sim senhora, amigos jogadores e leitores. Não poderia deixar para o fim, um dos pontos principais do jogo!

(Lembram-se dos pobres cultistas? Apareceram no dia errado à hora errada a rezar pelos seus deuses “tentaculosos”. Um Salta-pocinhas chateado, estragou-lhes o serão.”

Ora… Som. Ok. Por onde começar? Sem dúvida que na industria indie têm aparecido cada vez mais títulos bem trabalhados, pensados, realizados ao pormenor e com especial atenção à sua banda sonora e design sonoro. Lovecraft’s Untold Stories encaixa-se perfeitamente num desses títulos. Não consigo contar e enumerar sequer os efeitos sonoros diferentes que vamos encontrando pelo jogo! Desde o frio do metal a trespassar a nossa carne (se bem que a do Ghoul já está meia arregaçada, não conta!), aos sons dos inimigos, aos cânticos dos cultistas, ao simples barulho de abrir baús e pegar em objectos, existe toda uma atenção de detalhe em respeito do som neste jogo. Já a sua banda sonora é sombria, tensa e misteriosa. Aquele “medo” de arrepio na espinha, mas com vontade de descobrir mais sabem? Com uns trovões a latejar de vez em quando para acordar uma pessoa (não que tenha ficado a dormir no jogo), há um pouco de tudo. Este pouco de tudo alimenta o motor de Lovecraft’s Untold Stories e toda a sua experiência. Super bem conseguido.

(Ahhh! Acham que estava mesmo todo arregaçado o Ghoul? Só na cara! Mas ao menos não perde a sanidade. Sempre ouvi dizer… “Olho que brilha assim, já viu muita coisa”. Ou algo do género)

A nível visual e gráfico o jogo também não fica nada atrás. A pixel art está fantástica e apresenta bons detalhes nos cenários, principalmente nos seus distintos inimigos. Afinal há mais de 100, logo têm que no mínimo ser diferentes visualmente uns dos outros. Enquanto que a beleza visual fala pelo jogo, o mesmo não posso dizer da sua user interface. À primeira vista é simples e fornece informação suficiente, mas mal abrimos o inventário e temos que gerir aquela confusão toda, aí vemos que poderia tudo ser simplificado e terem criado um sistema de igual mecânica no jogo mas menos “pesado” ou que consuma tanto tempo ao jogador menos hábil mecanicamente.

(Ohhh diachoooo, vai haver festa e não fui convidado? Já estou a ficar maluco! Agora a sério, o Murphy estava mesmo a ficar maluco. Mesmo. Nem enfrentou 30000 vezes bichos assustadores antes nem nada. Respira fundo Murphy, é só um jogo.)

Chegamos ao fim desta analise de Lovecraft’s Untold Stories, um agradável indie cheio de pontos positivos mas que peca em algumas partes e não se torna um clássico. Certamente muito mais apelativo para os fãs do universo H.P. Lovecraft, os entusiastas de roguelites e jogos de aventura podem encontrar neste jogo um porto seguro para as suas necessidades vitais de um bom jogo. Com o preço convidativo de 14,99€ e disponível em várias plataformas, porque não? Para mim, valeu cada minuto.

RESUMO

Prós
• Banda sonora e design de som
• Mistura muitíssimo bem vários elementos de géneros diferentes
• Mais de 100 inimigos para defrontar

• Ambiente tenso, acompanhado de uma história razoável
• Cinco personagens únicas e distintas para escolher

Contras
• Gestão de inventário mal executada, tira tensão e imersão ao jogo
User interface de inventário confusa

• Controlos algumas vezes imprecisos

Pontuação final: 8/10

Lovecraft’s Untold Stories é um jogo perfeito para qualquer fã do Mythos e de aventuras RPG roguelite. Com uma apresentação cuidada, visualmente agradável e distribuída por cinco personagens diferentes e mais de 100 inimigos distintos, é certamente um dos títulos indies actuais a ter em conta. Recomendado.

A equipa do Xbox PT Dummies agradece à BadLand Publishing e ID@Xbox pelo envio do código do jogo para a realização desta preview.

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