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Review – Irony Curtain: From Matryoshka with Love – 9/10

Indie PC Play Anywhere Reviews Xbox One

DATA DE LANÇAMENTO 28 de Junho de 2019
ESTÚDIO Artifex Mundi
EDITORA Artifex Mundi
SINGLE-PLAYER ✅
MULTIPLAYER ONLINE ❌

MULTIPLAYER LOCAL ❌
CO-OP ONLINE ❌
CO-OP LOCAL ❌

DLC ❌
CATEGORIA Aventura, Exploração, Indie, Point & Click
PREÇO 19,99€
PLATAFORMA ONDE FOI JOGADO Xbox One X e Windows 10
OPTIMIZAÇÕES PARA A XBOX ONE X 4K Ultra HD, Xbox One X Enhanced
SITE OFICIAL

por Catarina Ferreira
CATpt93TAC

Poderão ver o nosso gameplay do jogo AQUI.

Mais um point & click a não perder, Irony Curtain: From Matryoshka with Love leva-nos a um mundo não muito diferente do nosso, onde a política não favorece ninguém, seja de que tipo for, e somos apresentados a Evan, um jornalista sem grande sucesso que sempre foi apaixonado por Matryoshka e o seu regime liderado pelo maravilhoso Líder Supremo! Acontece que esta nação vive no comunismo, algo que Evan parece defender, bem mais do que o capitalismo dos EUA onde vive com os seus pais.

O pequeno Evan, que passa por uma criança em aspecto e tamanho embora seja adulto, acaba por dar um discurso na televisão, quando uma misteriosa mulher o aborda e afirma que o mesmo foi convidado a ir a Matryoshka pelo próprio Líder. Entusiasmado com a oportunidade pela qual esperou a vida inteira, o ingénuo Evan prepara as malas e segue viagem para o desconhecido, acreditando que o motivo para o pedido da sua presença está no seu amor pelo regime. Será que Evan irá perceber afinal o que realmente se esconde por trás da Iron Curtain? A verdade é que o título está bem adaptado para Irony… (Ironia).

Ahem… Ah… Digo eu ou dizem vocês?

Evan é de facto um personagem muito peculiar. Ele é… mesmo muito ingénuo. Nem que lhe digam que a Terra é redonda ele vai acreditar que é plana. Portanto, o palerma do Evan idolatra o sistema político de Matryoshka e o seu líder, sem se aperceber da verdade nua e crua. O desgraçado promove então o seu idealismo político, inconsciente da sorte que tem por poder sequer expressar a sua opinião no país que considera imperfeito em tudo.

Sem querer acreditar na sua sorte, o jornalista parte para a sua terra amada de forma clandestina com a ajuda da personagem feminina misteriosa. A jornada começa na sua casa e continua em Matryoshka, onde descobre que afinal nem tudo é o que parece e, em pouco tempo, Evan vê-se num papel crucial que irá ditar o rumo de Matryoshka, com algumas revelações chocantes pelo meio. Quando se começam a ver os primeiros sinais que demonstram o que na verdade é uma ditadura a perfeição do comunismo, o humor está presente de forma muito sarcástica, como comentarem o facto do palácio estar fechado por causa das execuç… exercícios, o valor da moeda que desce a cada segundo, ou as restrições que podem ver a seguir…

Restrições… Malas, bombas, malas-bomba, refutações precipitadas, (…), gatos fofos, gatos feios, aqueles que pensam que Han disparou primeiro, (…), ateístas, agnósticos, cépticos, crentes, migrantes, imigrantes, emigrantes,…

Viram ali? Logo uma referência! O jogo está tão cheio delas que duvido haver apenas aquelas que eu reconheci. Referências a Star Wars, Monkey Island, Allo Allo (“Listen very carefully, I shall say this only once!“), James Bond e o que eu penso ser até de Fallout e Senhor dos Anéis. Quer dizer, só pode…

Fallout? 007? (tapado pelo rato, é bem, Catarina…) O olho de Sauron???

As referências passam por imagens e diálogo a itens. Mas Irony Curtain tem também o seu charme e personalidade. O fantástico estilo artístico bem executado, os personagens que em poucos minutos de diálogo demonstram as suas características, o humor sarcástico palpável em todos os cenários. Muitas das cenas e troca de palavras me conquistaram, quer pela ironia, quer pela genuinidade de cada um. Poderia citar alguns exemplos, como a troca de palavras entre dois dos responsáveis do Hotel quando se autorizam um ao outro para qualquer coisa que até cai no esquecimento. Ou o mendigo que quer começar a conversa do início, repetindo as mesmas palavras. Ou talvez quando o Evan pergunta a alguém como levantar a alavanca e… bom. Respondem de forma chocada! Mas cada um terá os seus destaques.

O jogo providencia uma obra de arte em todos os aspectos. O foco num point & click será sempre a sua história e forma de resolver problemas. Nisto pareceu-me perfeitamente natural, lembrando-me sempre um pouco os clássicos Monkey Island, sendo provavelmente apenas uma das inspirações. Até têm uns telefones “mágicos” espalhados por algumas zonas que ajudam imenso, basta marcar um número e o assistente dá dicas. Muito curiosa, esta técnica! Já para não falar do sotaque… Que música para os ouvidos!

No entanto, Irony Curtain não carece de falhas. A primeira impressão é que o desenho de Evan parece distante de tudo o resto. Certamente que a intenção seria localizá-lo facilmente, mas dada a sua estatura, não era necessário de todo tornar os seus contornos mais finos. Acaba por se distanciar demasiado do resto do registo gráfico, parecendo até que não pertence àquele mundo, o que é uma pena.

Aks about the weather? Não? …

As zonas, os temas, os itens, as conversas, a interacção, tudo é um poço de diversão nesta obra e não cansa nem um segundo. A jogabilidade consegue ser mais incómoda. Um point & click é sempre um pouco doloroso numa consola, mas jogável. O problema é que na Xbox One, a forma de pegar em itens, aplicá-los e combiná-los é estranha. Para aplicar um item num objecto, tenho que clicar no objecto e seleccionar a opção de interagir com algo que tenho no “bolso”. Já no PC, posso pegar apenas no item e ir experimentando com vários objectos em redor. Aqui, só falha quando queremos apressar o andar de Evan, que no PC é preciso realizar a mesma acção duas vezes seguidas para ele correr e na consola basta realizar a acção e clicar no RT para ele mexer aquelas curtas pernas.

Modéstia à parte…

Para terminar, apenas mais um ponto me desiludiu neste jogo. A história é bem construída, começando de forma leve, desenvolvendo-se por um bom período de tempo, mas quando no final começam a colocar os pontos nos is, tudo é explicado e revelado a correr e o final acaba por ser muito apressado. O clímax, o pináculo de todos os eventos passa completamente em alta velocidade e, quando se dá por ela, terminou uma maravilhosa aventura de forma rápida demais. A conclusão da história não honrou o resto…

Seja como for, é um jogo delicioso em tantos aspectos e certamente digno de mais abordagens no futuro. Apesar da sua ingenuidade, não há como detestar o Evan por completo, que enfrenta os seus medos, cai em qualquer mentira, mas tem bom coração. Os puzzles e a logística por detrás da resolução de problemas para se avançar na história estão impecáveis, sendo acompanhados por cenários muito dedicados e uma banda sonora muito boa, composta por Peter McConnell (Monkey Island, Valiant Hearts, Psychonauts…). Definitivamente, a não perder!

RESUMO

Prós
• História e personagens
• Arte visual
• Banda sonora
• Referências
• Humor
• Voice acting

Contras
• Comandos podem ser melhor trabalhados
• Final demasiado abrupto

Pontuação final: 9/10

Um point & click que nos leva a viajar a clássicos com uma história nova a não perder.

A equipa do Xbox PT Dummies agradece à Wire Tap Media e Artifex Mundi pelo envio do código do jogo para a realização desta review.

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Fundadora do projecto Xbox PT Dummies, Escritora, Reviewer e Designer

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