Facebook
Twitter
Youtube
Discord
Mixer

Review – Genesis Alpha One – 8/10

Indie Reviews Xbox One

DATA DE LANÇAMENTO 29 de Janeiro de 2019
ESTÚDIO Radiation Blue
EDITORA Team17
SINGLE-PLAYER ✅
MULTIPLAYER ❌

CO-OP ONLINE ❌
CO-OP LOCAL ❌

DLC ❌
CATEGORIA Acção, Aventura, Estratégia, Ficção Científica, Roguelike, RPG, Simulação, Sobrevivência
PREÇO 29,99€
PLATAFORMA ONDE FOI JOGADO Xbox One X
OPTIMIZAÇÕES PARA A XBOX ONE X ❌
SITE OFICIAL

por Catarina Ferreira
CATpt93TAC

Este é daqueles jogos que ao início poderão ser lentos, repetitivos e até quase impossíveis no que toca a alcançar o seu objectivo. Genesis Alpha One é um jogo de acção, exploração espacial e ficção científica que mistura elementos de RPG, estratégia e FPS. Em suma, há duas formas principais de jogar: a visão estratégica da construção da nave espacial, e a visão em 1ª pessoa do capitão, para acompanhar o progresso mais de perto. É, de facto, uma forma nova de jogar um jogo do género, pelo menos para mim.

Ainda pensei escrever esta review há mais tempo. Achei que tinha material suficiente, e a verdade é que certas coisas já me irritavam. Mas por vezes alguns jogos demoram algum tempo a convencer-nos e aprendi a apreciar este cada vez mais com o tempo.

Em Genesis, a humanidade já não pode contar com o seu planeta natal, a Terra, para sobreviver. A espécie expande-se pelo cosmos em busca de planetas com as condições ideais para recomeçar: um candidato Genesis. Portanto, o jogo envolve que se construa, fortaleça e organize toda a estrutura da nave espacial, que será a casa dos clones (sim, faz-se clones, não bebés), e o seu local de trabalho, e que se reúna recursos para a suportar.

Ao encontrar um candidato Genesis, este terá requisitos mínimos a cumprir. Dado que os Humanos são os mais fáceis de colonizar, o ideal seria encontrar um planeta para habitantes que respirem oxigénio (O2), mas há outros clones que se poderá criar depois de se reunir ADN suficiente para tal. Para fazer crescer a tripulação, é necessário ter plantas na Estufa que produzam O2, NH3, KOH, entre outros, e criar clones. Mas claro, ainda é mais complicado do que parece. Para arranjar plantas é preciso resgatá-las onde forem encontradas, e as plantas são dos recursos mais raros, especialmente se procuramos alguma em específico. Depois, por cada clone é preciso 5 unidades de Biomassa, que se obtém ao eliminar os mais variados tipos de extraterrestres.

Genesis Alpha One pode demorar o seu tempo. É preciso fazer uma boa gestão das estruturas da nave. Como Depósitos perto do Hangar, de onde vêm os recursos no seu estado natural, Refinarias por perto para os tornar utilizáveis e Armazéns para os guardar. Há uma grande variedade de recursos para construir e melhorar estruturas, armas e defesas. Desde o mais comum, o Ferro, a Cobre, Platina, Lítio, Enxofre e até Ouro. O Tractor Beam extrai recursos prontos a utilizar analisando destroços que deambulam pelo espaço. E acreditem, em qualquer um destes pontos é preciso colocar torretas e barreiras de energia. Seres alienígenas irão surgir de todos os lados inesperadamente.

Provavelmente irão ouvir muitas vezes “Lifeform detected“. E aí, é essencial evitar que as pequenas formas de vida se espalhem pelos túneis debaixo de cada módulo, que estão todos interligados e cheios de nódulos de energia que, se destruídos, ameaçam fazer explodir as diferentes partes da nave. Estes seres criam ninhos nojentos debaixo dos nossos pés mesmo quando achamos que temos tudo controlado. Isto torna a experiência entusiasmante e misteriosa com uma pitada de adrenalina. Quase como se houvesse aquele medo de jogar algo no Universo de Alien.

Como capitão da nave, o trabalho do jogador é garantir que tudo corre bem, que os objectivos a curto prazo são cumpridos para preencher os objectivos a longo prazo. Isto requer, naturalmente, uma boa gestão de recursos, para que o escassear de algum material não torne o progresso irreversível. Atribuir funções aos clones nas diferentes zonas, senão nada é feito e eles ficam a passarinhar pela nave sem fazer nenhum. E garantir que as pequenas invasões alienígenas não arrebentam com a nave, nem com parte dela.

A parte mais frustrante do jogo (ok, uma das), é saber onde podemos explorar pelo mapa. No início torna-se muito difícil perceber o porquê de algumas zonas serem mais perigosas que outras, mesmo sem o risco de levar com tempestades solares ou asteróides. Até que começamos a ser invadidos por piratas do espaço, Mechanics ou Framen, a serem tele-portados a toda a hora no interior da nave, e por mais que os matem, continuarão simplesmente a vir, a destruir os nódulos de energia de zonas estratégicas para rebentar com a nave e matando a tripulação que, é outro ponto frustrante e simplesmente idiota: são IA quase sempre inúteis, especialmente no que toca a combate.

Demora bastante tempo até termos uma nave bem construída, e não temos acesso a todo o tipo de módulos no começo do jogo. Em alguns planetas que podemos explorar, haverá locais para analisar, que nos podem providenciar plantas de armas ou módulos. Por vezes desbloqueiam logo os objectos, outras vezes não passam de coordenadas. E, convenientemente, para zonas de muito perigo para a sobrevivência da tripulação.

Há algo ainda mais espectacular no jogo. Algo mesmo bom. Algo que torna a aventura muito mais entusiasmante (não). Se morres, fazes spawn noutro membro da tripulação que é imediatamente promovido a capitão. Se morrerem todos, ou a Ponte for destruída, não há gravações que salvem. O jogo é Roguelike, portanto, começa-se do início. A única coisa que poderá ajudar a numa nova ronda é alguns artefactos ou corporações desbloqueados com feitos através do jogo que dão uma ajuda mínima.

Isto aconteceu-me 3 a 4 vezes. E os piratas invasores foram os culpados. Mesmo na ronda onde consegui encontrar e conquistar um candidato Genesis, a nave e a tripulação estiveram por um fio algumas vezes, enquanto eu fugia pelo espaço utilizando o ridiculamente curto hyperjump, realizando saltos incessantemente até me ver livre da sua perseguição. Depois, era necessário reparar os danos e substituir, a custo de tempo e recursos, os clones, que nesse espaço de tempo desceram de 19 para 8, mais coisa menos coisa. E demorou bastante até conseguir construir módulos que ajudem a que os saltos no espaço sejam efectivamente maiores. Mas a distância dos saltos básicos se calhar é demasiado curta. Um quadrado 3×3 podia ser 4×4, pelo menos.

Durante a minha experiência de jogo, fui insistindo e tentando dar-lhe oportunidades atrás de oportunidades. A verdade é que Genesis Alpha One consegue ser muito frustrante quando a nave começa a ser invadida por piratas do espaço e parece que perdemos o controlo de tudo. São seres humanóides difíceis de matar (e ainda bem que descobri que a Iron Thrower é uma salva-vidas) e parece o fim do mundo. E até pode ser. Mas uma vez que começamos a aprender certas manhas, o jogo torna-se divertido e até viciante. Até me vi entretida a colorir as paredes e chão das diferentes zonas da nave para ser mais fácil orientar-me. E a colorir de novo quando os piratas davam cabo de alguns corredores e outras áreas…

Em termos de gestão de recursos, encontrar plantas para novos módulos e armas e tudo o mais, o jogo funciona bem. Mas peca pela IA, que independentemente da sua origem biológica, é talvez das mais fracas que já vi num jogo. A não ser que coloque torretas em certos pontos e encha a nave de clones e os atribua às diferentes áreas de trabalho com o máximo possível deles, o mais provável é acabarem por morrer com qualquer ser minúsculo. Sacam das armas e ficam a olhar, com sorte matam. De resto, não são auto-eficientes. Não fazem manutenção de nada, o que é uma pena. Apenas o jogador tem o trabalho de verificar qualquer fuga e garantir que os sistemas estão a funcionar correctamente. Como reparar os nódulos de energia, que são chocolates para as pequenas criaturas. E, a não ser que haja uma tarefa destacada a cada clone, apenas passeiam a nave sem contribuir para nada senão roubar o “ar” que respiram.

Já para não falar do caso curioso das diferenças entre ir no Harverster coleccionar recursos ou não ir. Se for, nenhum espécime vem no pequeno vaivém. Se deixar os clones irem sozinhos, não enchem o veículo com os recursos, trazem apenas alguns, e ainda há extraterrestres a fazer spawn no Hangar. 99% das vezes acontece sempre isto.

Seja como for, com o tempo e com alguma paciência e insistência, consegue-se perceber que Genesis não é tão aborrecido nem fraco como possa parecer ao início, e provavelmente os jogadores que lhe derem uma oportunidade vão aprender a ser mais cuidadosos e pensar antes de agir após algumas vezes a ter que começar a jornada de novo. É um jogo que leva o seu tempo e, quando vemos a nave crescer e a atingir o seu equilíbrio, torna-se menos alarmante jogar e mais entusiasmante.

A música dá um tom único ao jogo, mas o som dos passos do nosso próprio personagem confundem ao ponto de nos fazer pensar que estamos a ser perseguidos. Perdi a conta da quantidade de vezes que olhei em volta alarmada a pensar que tinha alguém atrás de mim e era sempre eu. De resto, alguns planetas parecem ser únicos, outros fazem parecer que os criadores apenas se preocuparam em alterar um pouco os tons de cor em volta. Não há nada de único nem especial na maioria deles.

Pergunto-me a diversão que teria se Genesis fosse melhor desenvolvido, com maior diversidade de flora, com mais possibilidades na construção, com clones mais inteligentes. Mas pelo valor, oferece um conteúdo excelente e infinitas horas de diversão. Mesmo após se encontrar um candidato Genesis e habitá-lo, pode-se simplesmente continuar a jornada com a mesma nave ou recomeçar de forma cada vez mais perfeccionista, para vermos até quando conseguimos ir e o que conseguiremos alcançar. E mesmo após ter cumprido o objectivo essencial, confesso que tenho vontade de lá voltar.

Se tivesse conteúdo pós-lançamento, seria provavelmente um jogo que eu seguiria de perto.

RESUMO

Prós
• Gestão de recursos torna-se natural
• As duas formas de jogar que se complementam
• IA da nave pode ser consultada a qualquer altura para tirarmos as mesmas dúvidas
• Diversidade de vida extraterrestre
• Mapa grande e sempre aleatório
• Os recursos nunca se escasseiam, mesmo em sistemas planetários já visitados
• A missão não tem fim
• Grafismo bom
• Banda sonora interessante

Contras
• Os perigos poderiam ser mais clarificados para evitar alguma frustração inicial
• A invasão dos Mechanics e Framen nas primeiras horas são demasiado para quem não conhece o jogo
• A IA dos clones é demasiado básica
• Som dos passos do personagem que controlamos é confuso
• O ! por cima de alguns clones aparece mesmo quando já consultamos todas as dicas que nos poderiam dar
• O radar no braço por vezes é confuso, alertando para vida hostil que não parece existir, mantendo-se vermelho por um bocado até voltar a verde
• Há módulos que simplesmente cumprem as suas funções de forma automática sem clones a 
monitorizar

Pontuação final: 8/10

Um jogo que não sabe conquistar à primeira vez, mas que se torna melhor com o tempo. É um conceito a ser melhor explorado.

A equipa do Xbox PT Dummies agradece à Team17 pelo envio do código do jogo para a realização desta review.

Não há votações ainda.

Vota neste artigo

Fundadora do projecto Xbox PT Dummies, Escritora, Reviewer e Designer

Deixa uma resposta

O teu endereço de e-mail não será publicado.

Tu podes usar estes HTML tags e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>