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Review – Fell Seal: Arbiter’s Mark – 10/10

Indie Reviews Xbox One Xbox One S Xbox One X

DATA DE LANÇAMENTO 30 de Abril de 2019 
ESTÚDIO
6 Eyes Studio
EDITORA 1C Online Games Ltd.
SINGLE-PLAYER  ✅
MULTIPLAYER ONLINE
MULTIPLAYER LOCAL
CO-OP ONLINE
CO-OP LOCAL

DLC ❌

CATEGORIA Estratégia, Indie, RPG, Turn-based
PREÇO 24,99€
PLATAFORMA ONDE FOI JOGADO Xbox One X
OPTIMIZAÇÕES PARA A XBOX ONE X 
SITE OFICIAL

por Hugo Urbano
Kaizord

Fell Seal: Arbiter’s Mark – O caminho para a imortalidade.

Olá! Hoje trago-vos a análise de uma pérola indie desenvolvida pelo estúdio 6 Eyes Studio e publicado pela 1C Online Games Ltd. Trata-se de Fell Seal: Arbiter’s Mark, um jogo de aventura RPG, por turnos e com bastantes elementos de estratégia à mistura. Para mim, foi como se estivesse a jogar Final Fantasy Tactics Advance e a viver a sua magia pela primeira vez, que considero um dos melhores jogos de todos os tempos, portanto as expectativas eram grandes e tinha uma ideia pré-concebida dos elementos que queria ver num jogo deste estilo, dezasseis anos mais tarde. Acima de tudo, esperava que a história e o seu desenvolvimento fossem cativantes o suficiente para me prender ao ecrã (e ao comando). Conseguiu? Vem comigo para a análise de Fell Seal: Arbiter’s Mark.

(É assim que começa a nossa aventura e a de Kyrie, a cumprir o deve de um Arbiter!)

Começamos muitíssimo bem em Fell Seal: Arbiter’s Mark, ao sermos introduzidos à sua backstory e universo numa excelente cutscene narrada, onde a premissa do universo é a seguinte: Há uns longos anos atrás, sete destemidos heróis salvaram Teora derrotando o mal. A sua recompensa por tal feito, nada mais nada menos do que a imortalidade. Com isto os heróis criaram o Council of the Immortals, um grupo de entidades que visa proteger o mundo e manter o equilíbrio e ordem da sociedade. Ora como sete “meninos” não chegam para tudo, decidiram criar os Arbiter’s, um novo grupo que executa as leis dos Immortals e têm, supostamente, como objectivo principal lutar pela justiça e pelo bem do povo. Simples e eficaz, mas será que tudo é assim tão perfeito?

Após esta breve introdução, somos então apresentados a Kyrie, uma Arbiter, a sua tímida aprendiz Anadine e o brincalhão Reiner, os três principais heróis que o jogador tem a oportunidade de comandar, além de claro todas as restantes unidades. Após a breve introdução ao combate (muito bem explicada), procedemos à detenção de um nobre, Alphonse, que está incrédulo por Arbiters o quererem prender. Ora bem, para ser julgado, transportamos Alphonse até uma Chapterhouse que supostamente traria justiça à família do homem assassinado a sangue frio pelo nosso prisioneiro. Entretanto somos interrompidos pelos Immortals para uma chamada de emergência de todos os Arbiters capitães, à sua base de operações. É aqui pela primeira vez que pomos os olhos nos então sete heróis imortais e não consegui realmente deixar de sentir que cada um deles emanava uma “aura” diferente em relação aos personagens até ao momento apresentados. Creio que falar mais da história a partir desta reunião poderá estragar a surpresa ao leitor, mas é a partir deste ponto que a história desenvolve drasticamente e Kyrie, a nossa capitã, começa a se questionar sobre o Council of Immortals, os Arbiters e o seu lugar no mundo.

É um desenvolvimento muito interessante, poderá ser cliché na sua forma de ser contado, mas o jogo através do seu excelente storytelling e evolução de personagens consegue prender-nos ao ecrã para vermos o desfecho da nossa aventura, e claro descobrir o destino de Kyrie e os seus companheiros. A história possui inúmeras ramificações diferentes e twists surpreendentes durante toda a sua execução. Ahhhh, o quanto esperei por um jogo assim. Nota máxima ainda, no capítulo de lore e backstory para acompanhar as nossas aventuras, é gratificante ver um indie com atenção ao detalhe no momento de contar a sua história.

A tudo isto, o jogo oferece ainda inúmeras possibilidades de personalização de personagens, que para mim são uma excelente evolução do género e o meu novo standard para jogos RPG de estratégia por turnos.

(Passarão grande parte de vosso tempo neste menu, a modificar habilidades, a equipar armas e armaduras, mudar de classes, entre outros)

Um dos grandes pontos de venda de Fell Seal: Arbiter’s Mark é a possibilidade do jogador personalizar as suas personagens/unidades à sua maneira, incluindo o retrato, a cor dos olhos, chapéu, tom de pele, roupas, entre outros! As opções e combinações são quase infinitas, assegurando que a nível estético neste jogo cada jogador consegue explorar a mesma aventura à sua maneira. Claro, isto é válido para todas as personagens além de das especiais! Estas, por pertencerem directamente a eventos das história principal, têm armaduras e retratos especiais (a Anadine usa a antiga armadura da sua mãe por exemplo).

Criar uma personagem é simples e intuitivo, basta visitar uma Guild em qualquer cidade no mapa e depois é-nos apresentado um menu onde podemos diversificar elementos da nossa personagem à nossa escolha. Além disto, outro excelente ponto do recrutamento das personagens é que podemos escolher o nível em que ela vem para o nosso grupo no mesmo menu, claro que personagens de nível mais elevado são mais caras, mas isto permite-nos rapidamente recrutar falhas que tenhamos no nosso actual grupo ou experimentar novas “builds” de classes mais rapidamente do que começarmos sempre a nível um. Especificamente em Fell Seal: Arbiter’s Mark, esta opção é essencial visto que quando uma personagem é derrotada em batalha, ao invés de ela morrer para sempre, ou ser eliminada da batalha e voltar na próxima a seguir curada a 100%, neste jogo acontece uma situação inovadora e inédita (que me recorde!), a personagem então derrotada fica ferida e terá que aguardar uma batalha completa para que volte na próxima, na sua maior força. Caso pretendam “ignorar” este descanso e chamar a unidade ferida para a batalha, a mesma terá um debuff de 10% em todos os seus atributos. Caso seja derrotada outra vez… a coisa vai ficar cada vez mais feia. Daí a ser tão importante haver um sistema de recrutamento rápido que vá colmatando as nossas falhas durante a aventura e aqui Fell Seal: Arbiter’s Mark está atento, mais uma vez ao detalhe, e passa com distinção o teste.

(Existem muitas possibilidades para escolherem uma classe principal na vossa personagem, além da classe secundária!)

Ainda dentro do capítulo do menu de personagens e a sua personalização, em Fell Seal: Arbiter’s Mark as nossas personagens têm uma classe primária e uma classe secundária, sendo que podemos herdar habilidades de uma ou de outra, incluindo efeitos passivos. Para irmos melhorando e aprendendo novas habilidades/feitiços/ataques, vamos ganhando pontos de experiência durante as batalhas e outro recurso chamado AP, usado então para aprender novas habilidades das nossas classes escolhidas. Com vinte classes para “brincar” e mais combinações entre elas, é verdadeiramente gratificante experimentar várias habilidades e desbloquear novas classes pelo caminho. Sim, ao aprendermos habilidades de uma classe específica ou uma mistura de duas classes, conseguimos desbloquear classes mais poderosas e épicas. É mais uma homenagem a Final Fantasy Tactics e a outros jogos do género, para quem jogou os mesmos vai encontrar uma familiaridade em Fell Seal: Arbiter’s Mark, mas num universo novo, repleto de magia e novos protagonistas, adaptado ainda às consolas modernas. Uma coisa é certa, ninguém pode acusar este jogo de ser repetitivo ou ter pouca variedade.

Já na jogabilidade, Fell Seal: Arbiter’s Mark não inova, mas apresenta alguns detalhes interessantes para se destacar. Confortavelmente usando o D-Pad podemos navegar por todos os menus e espaços que podemos usar para nos movermos com cada uma das nossas personagens. Seleccionamos o ataque ou habilidade que queremos usar e se tivermos algum inimigo no alcance da mesma (o quadrado de selecção passa a vermelho), podemos então concluir a ação de ataque/habilidade. Caso já tenham um inimigo perto o suficiente da vossa personagem, não são obrigados a mover a sua personagem primeiro, podem atacá-la e de seguida mover o vosso boneco, o essencial é que temos apenas duas ações por turno. “Mas, isso não é assim em todos os jogos por turnos de estratégia?” Bem, sim e não! Apesar de ser uma mecânica similar a outros jogos do género, gosto que em Fell Seal: Arbiter’s Mark, além dos comandos de movimento, de ataque ou itens, o jogo apresenta ainda baús de tesouro no mapa que podem ser abertos com uma ação específica, naturalmente chamada “Open“. Além dos baús normais, existem baús específicos (com melhores recompensas) que só podem ser abertos com ações ou classes especiais. Não temam, podem revisitar os mapas com estes baús mais tarde assim que tiverem a habilidade necessária! É esta atenção ao detalhe que se destaca na jogabilidade de Fell Seal: Arbiter’s Mark e além destes pequenos bem-vindos detalhes existem outros objectos em que a nossa personagem pode interagir directamente. Um exemplo muito prático ocorre numa das missões iniciais do jogo, em que se colocarmos uma personagem em cima de um alçapão evita que os nossos inimigos chamem reforços por aquela via. Com isto, cada batalha consegue ser única e certamente cada jogador conseguirá descobrir a melhor abordagem para a mesma! No meu caso, como sou fã de magia, tinha uma carrada de feiticeiros durante toda a aventura! Nem sempre correu bem, mas divertido foi de certeza! 

(Fell Seal: Arbiter’s Mark destaca-se pelo seu UI intuitivo e de jogabilidade confortável)

Quanto ao conteúdo, Fell Seal: Arbiter’s Mark apresenta-nos “apenas” o seu modo de história e toda a vertente de aprimoramento de personagens. Colocaria mais aspas no apenas anterior, porque este conteúdo é muitíssimo extenso e convida o jogador a revisitar várias vezes antigas zonas no mapa. Seja para ir buscar um tesouro, um evento especial com mais backstory, visitar lojas específicas, recrutar personagens, entre outros. As batalhas não são necessariamente curtas e vão aumentando de dificuldade e duração com o avançar da história. Kyrie certamente não será a única personagem a ficar mais forte, precisamos mesmo de um grupo forte e coeso para derrotar os inimigos mais aptos (não façam só feiticeiros como eu, ou então sejam malucos como eu!). Mesmo após o final da história, não fiquei com a sensação de ser curta, ou alongada, encaixa bem no tom da história e desta aventura contra a corrupção de Kyrie e companhia. Quanto muito, fiquei com vontade de começar um novo save para tentar jogar com unidades e classes diferentes!

E procurar os itens mais épicos para aquela vossa personagem especial? Pois, existem mais de 240 peças de equipamento disponíveis e 20 classes para desbloquear… A isto juntamos os 40 actos principais do jogo e temos um jogo com conteúdo interessante e médio/longo para tirar o bichinho de jogar um bom RPG num novo universo? Para quando Fell Seal: Arbiter’s Mark 2? Fiquei fã.

(O mapa é fácil de navegar, grande e oferece muito conteúdo, batalhas e eventos secundários pelo caminho)

A nível gráfico o jogo apresenta-nos uma belíssima arte desenhada à mão. Os cenários são vibrantes, alguns misteriosos e marcam bem os momentos que vamos passando pela história. Aliado aos detalhes de baús para apanhar, misturado com o estilo gráfico das personagens, temos aqui a mistura perfeita para um excelente jogo de RPG por turnos. Aprovado.

A nível de user interface, quero deixar destaque à sua simplicidade e facilidade de navegação. Todos os combates são fáceis de navegar e temos sempre a opção e o controlo de tudo o que estamos a fazer durante a batalha. É minimalista o suficiente para não perdermos o foco dos bonitos cenários e dentro do menu de classes e personalização, é extenso o suficiente para que possamos perder lá horas a personalizar as nossas personagens. Muitíssimo bem conseguido pela parte da 6 Eyes Studio.

A nível de som, gostei do voice-acting da cutscene inicial e compreendo a opção de não colocar voice-acting nas personagens principais. Ao bom estilo clássico RPG, consegui imaginar como qualquer um dos nossos heróis seria, no meu ideal. No entanto, é claro que durante as batalhas existe uma banda sonora e o design de som também está muitíssimo bem elaborado e acrescenta tensão aos ataques mais poderosos e momentos mais marcantes da história.

A nível de performance não tenho nada a apontar, jogado numa Xbox One X, como diz o outro “nem bufou” e em qualquer parte do jogo, não houve qualquer quebra de performance durante as batalhas ou nas cutscenes.

(O gráficos desenhados à mão encaixam “que nem gingas” neste jogo… Belíssimo. E existem inúmeros cenários diferentes para explorar!)

Fell Seal: Arbiter’s Mark é uma pérola no cenário indie. Muito bem aclamado na comunidade PC, chega agora à Xbox muito bem executado, com personagens e história memorável, apresenta para os fãs do género, e não só, uma aventura rica repleta de mistérios e sobretudo executa as suas ideias teóricas, na prática. Um jogo muitíssimo bonito com gráficos desenhados à mão, jogabilidade eximia e completa, sistema de classes bem trabalhado e personalização suficiente para deixar qualquer um a pedir por um playthrough ou até dois só para jogar vários tipos de estilo de jogo. Desde 2003 com Final Fantasy Tactics Advance, até hoje que poucos títulos dentro deste género conseguiram chegar perto do pedestal onde eu próprio o coloquei. Fell Seal: Arbiter’s Mark entra bem perto desse patamar e apresenta-se como um jogo moderno com muitas horas de conteúdo para todos os jogadores desfrutarem. Não o consigo recomendar o suficiente.

RESUMO

Prós
• História marcante, repleta de surpresas
• Sistema de classes e sub-classes muitíssimo bem planeado e executado

• Gráficos desenhados à mão muito bonitos e encaixam na perfeição com o tema

• Personalização de personagens muito extensa e completa

Contras
• Nope, nada.

Pontuação final: 10/10

Fell Seal: Arbiter’s Mark é uma pérola indie para qualquer apreciador de RPGs de estratégia por turnos. A sua história marcante e intrigante cativa-nos a perdermos-nos no seu belo universo e ainda mais belos gráficos desenhados à mão. Com a possibilidade ainda de personalizarmos as nossas personagens individualmente ao nosso gosto e um sistema de classes e sub-classes complexo, mas intuitivo, é impossível para mim não dar nota máxima a este jogo dentro do seu género. Obrigatório e recomendado para quem gosta de Final Fantasy Tactics e RPG’s no geral!

A equipa do Xbox PT Dummies agradece à 1C Entertainment pelo envio do código do jogo para a realização desta review.

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