DATA DE LANÇAMENTO 14 de Novembro de 2018
ESTÚDIO Bethesda Game Studios
EDITORA Bethesda Softworks
SINGLE-PLAYER ✅
MULTIPLAYER ✅
CO-OP ONLINE ✅
CO-OP LOCAL ❌
DLC ❌
CATEGORIA Acção, RPG, MMO, Survival
PREÇO 69,99€ | 89,99€
PLATAFORMA ONDE FOI JOGADO Xbox One S
OPTIMIZAÇÕES PARA A XBOX ONE X ✅
SITE OFICIAL
por Igor Gonçalves
Ig0r09
Desde o meu primeiro contacto com Fallout 3, – Ano de 2008 – que descobri uma nova era de gameplay. De tudo o que já jogara, algo jamais estaria ao nível estonteante daquele primeiro contacto com Fallout. Realismo, liberdade de gameplay, escolhas que mudariam completamente o rumo das quests, gestão de inventário, RPG, e uma das melhores atmosferas já criadas num videojogo. Isto era Fallout 3 no seu esplendor. Desde então, foram lançados Fallout New Vegas, e Fallout 4, dois jogos que seguiram à risca a fórmula do antecessor, ainda conseguindo inovar algo que era difícil. Hoje, temos Fallout 76, uma tentativa completamente fracassada, incapaz de fazer jus ao bom nome de uma das melhores experiências Action RPG já produzidas até à data.
A História do jogo leva-nos para o ano de 2102, duas décadas depois da Great War, evento que despedaçou com o planeta. Acordamos no Vault 76, localizado em West Virginia designado para reabrir 20 anos depois dos bombardeios nucleares. Depois da criação do nosso personagem, temos além do momento mais nostálgico, a melhor parte durante toda a jornada que Fallout 76 proporciona. Tudo o resto é uma mescla de repetição absurda, inútil, e totalmente vazia.

West Virginia após a abertura do Vault 76
No máximo, poderão estar um total de 24 jogadores no servidor, o que não é de todo ajustado com o enorme mapa de Fallout 76, piorando ademais quando simplesmente acabam por abandonar o server, deixando os slots que supostamente deveriam ficar vagos como “desligados”, mas mantendo o jogador inativo no servidor. Tudo isto é ainda reforçado pela falta de NPC’s humanos (e não só) que a saga nos habituou. Em outros jogos da série, todos os cantos tinham uma história por contar, algum npc a necessitar de ajuda, algum mercenário capaz de vos pagar uma boa quantia por um trabalho que digamos, por vezes nos fazia jeito. Estes são apenas exemplos de entre muitas outras originalidades que onde Fallout sempre se superou. Existem pouquíssimas quests interessantes, misteriosas e com narrativa abundante, afinal, apenas nos limitamos a ouvir audio logs e a ler cartas deixadas pelos últimos sobreviventes do desastre nuclear.
Os visuais do jogo deixam uma sensação um pouco amarga. Se por um lado temos paisagens magníficas e cidades totalmente devastadas, que passam bem ao jogador o terror ali vivido, por outro, o jogo conta também com texturas muito fracas, principalmente no interior de edíficios, onde tudo se torna visualmente inferior. (Notando ao leitor que a versão jogada foi a de Xbox One S, sendo Xbox One X a versão que melhores gráficos possui no mercado) Quem jogou Fallout 4 vai sentir, um quase nada de diferenças visuais entre o jogo lançado em 2015 e o atual.

Visuais de Wasteland devastado mas totalmente fotogénico
A jogabilidade continua a base de Fallout 4, com uma notória diferença no sistema V.A.T.S que agora funciona em tempo real, algo que me parece muito mal aproveitado. Temos também elementos de sobrevivência em que a alimentação e hidratação são prioridades máximas para conseguir sobreviver ao vasto mundo de Appalachia. Além do bem-estar da nossa personagem por estar bem alimentada, ganhamos atributos bónus, contudo é também uma questão de tempo até a fadiga nos apanhar caso não queiramos hidratar e alimentar como deveremos de tempos a tempos.
O modo de construção está melhor que nunca, sendo talvez o único progresso na série desde então. Nas consolas, tornou-se bastante simples construir, e agora os materiais encaixam-se de forma natural, algo que não tinha sido muito trabalhado anteriormente em Fallout 4. Existem também vários esquemas, assim como receitas, dos quais poderemos desbloquear novos materiais como diferentes tipo de camas, eletrodomésticos e até decorações para o nosso C.A.M.P, algo já habitual para os mais conhecidos da série e que gostam de explorar esse lado de Sim Builder que existe no universo Fallout.

Construção que melhorou bastante face ao seu antecessor
Outra das novidades e que faz sentido apesar de mal aplicado é um modo PVP. Algo totalmente opcional podendo resguardar quem apenas quer passar o jogo sem problemas, mas com um sistema bem arcaico e mal pensado. O combate entre dois jogadores só fica “ativo” quando o jogador que primeiro é atacado, dá o golpe sobre o agressor, o que causa um grande desiquilíbrio pois dá tempo do jogador agredido pensar na sua estratégia e até conseguir acabar o PVP com apenas um golpe.
Bethesda tem vindo a traçar um legado de sagas inacreditáveis como The Elder Scrolls e Rage, e tal como estes, Fallout 76 sofre de bugs e má optimização (principalmente em versão de consolas) que tanto tem acompanhado a Bethesda nesta sua jornada. Não é novidade, mas também pode ser compreensível, que jogos com um mundo aberto tão vasto, possam ter pequenos problemas que mais tarde serão corrigidos. O problema de Fallout 76, é que existem bugs constantes e absurdos em cada esquina do mapa, e até quests completamente quebradas em que não conseguimos sequer completar, mas acima de tudo, e como sempre afirmo, o maior factor gamebreaker que nenhum jogador merece passar, são problemas de performance. Em Fallout 76, não existe um constante um equilíbrio de fps, principalmente em momentos de tiroteio e acção corpo a corpo com as criaturas presentes no jogo. É totalmente inaceitável um jogo deste nível ter sido lançado com tantos problemas de optimização e performance a ponto de causar shutdown na consola por várias vezes.

Modo Foto, uma das novas funções do jogo
A banda sonora continua fenomenal, algo que tem sido um dos grandes marcos da série ao longo dos anos. Muito graças a Inon Zur, compositor bastante conceituado e com provas dadas não só em jogos como em filmes. As rádios presentes no jogo contêm também temas brilhantes de Fallout 3 para os mais nostálgicos, e temas originais cheio de espírito country e jazz. Se há algo que te irá ajudar a passar pelo aborrecimento dos longos percursos que vais fazer durante o jogo, será certamente a sua banda sonora.
Sendo exclusivamente um jogo multiplayer e seguindo a tendência dos tempos atuais, Fallout 76 sofre também do mal das microtransações, ainda que apenas cosméticas. Apesar de existir uma maneira de ganhar átomos (a moeda virtual) completando desafios para comprarmos alguns desses itens, tudo isso requer um farming extenso, prejudicando os jogadores que jogam poucas horas por semana. Algo totalmente evitável mas que provavelmente será a maior fonte de rendimentos do jogo, infelizmente.
RESUMO
Prós
• Ambiente incrível pós-apocalíptico que a saga sempre nos habitou.
• Inovações e mais simplicidade na construção dos nossos abrigos.
• Banda Sonora sempre brilhante.
Contras
• Problemas graves de performance.
• Imensos Bugs.
• Quests repetitivas e com pouco interesse.
• Microtransações.
• Inteligência artificial extremamente desajustada.
Pontuação final: 4.5/10
Fallout 76 é um jogo muito mal polido, longe do seu estado final de lançamento. O ambiente tenso de Wasteland está presente no jogo, mas acorrentado com imensos bugs e graves problemas de performance.
A equipa do Xbox PT Dummies agradece à Bethesda Softworks pelo envio do código do jogo para a realização desta review.