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Review – Anthem – 8/10

EA PC Reviews Xbox One Xbox One X

DATA DE LANÇAMENTO 22 de Fevereiro de 2019
ESTÚDIO Bioware
EDITORA Electronic Arts
SINGLE-PLAYER ✅
MULTIPLAYER ✅

CO-OP ONLINE ✅
CO-OP LOCAL ❌

DLC ❌
CATEGORIA Acção, Aventura, MMO, Mundo Aberto, RPG
PREÇO 69,99€ | 89,99€
PLATAFORMA ONDE FOI JOGADO Xbox One X
OPTIMIZAÇÕES PARA A XBOX ONE X 4K Ultra HD, HDR10, Xbox One X Enhanced
SITE OFICIAL

por Catarina Ferreira
CATpt93TAC

Analisar um jogo com tanta polémica e se for para falar, na sua maioria, bem dele, é quase o mesmo que apertar o nó da corda onde nos vão enforcar. Ao contrário da maioria das reviews e jogadores, não vou deitar abaixo um jogo que tem tanta qualidade, por falhas que não são as dele. Anthem é um MMORPG promissor, com muito para dar e ainda muito para provar, não aos outros, mas a ele mesmo.

Primeiro que tudo, é importante esvaziar um pouco a mente. Esquecer The Division e Destiny. Sim, o jogo lembra muita coisa de Destiny, especialmente, mas há que lembrar que Anthem é um universo diferente, com as suas regras, características e alma. Aliás, cada vez que me lembra Destiny, penso numa lista de coisas que Anthem tem melhor organizado ou acho mais entusiasmante, mas, como disse, são jogos diferentes. Anthem é uma nova experiência que recomendaria a que, pelo menos, qualquer curioso experimentasse.

A Bioware esmerou-se com o lado gráfico, cheio de conteúdo e detalhe, quer no mundo exterior, quer no interior do porto seguro: Fort Tarsis.

Mas então vamos lá. Afinal o que é Anthem? O hype foi criado logo na sua revelação na conferência da Microsoft na E3 2017, tendo sido servido como prova do poder da Xbox One X. Vindo da Bioware, houve algum cepticismo, depois da má recepção de Mass Effect: Andromeda (um dos grandes motivos para Anthem acabar por ter também sido mal recebido). Ora, não sou apologista de falar bem do que está mal. Anthem tem falhas, bugs e problemas e é sobre eles que se deve falar, não dos objectivos nunca prometidos que existem noutros MMOs. Anthem não foi criado para ser uma cópia de nenhum outro jogo. Foi criado para podermos explorar outro Universo dentro do mundo dos videojogos, um muito interessante e promissor, e MMORPG foi a forma que escolheram para isso.

HISTÓRIA

O mundo de Anthem é um planeta que inacabado, deixado pelos deuses (Shapers) que fugiram e o deixaram à mercê dos humanos e de toda a restante vida existente. O ambiente é hostil, vivo, cheio de cor, paisagens arrebatadoras (motivo pelo qual muitas vezes paro a olhar estupefacta), com vegetação que enche a vista, cascatas enormes, animais que complementam a flora (uns inocentes, outros perigosos), ruínas misteriosas, túmulos e cavernas cheios de segredos para descobrirmos. O mundo inacabado apresenta perigos próprios, onde vemos que o clima é um dos factores mais mutantes.

Em Fort Tarsis, onde entrarás no teu Javelin para partires para as tuas missões.

Neste mundo em que entramos, vemos diferentes grupos de humanos que se separaram com objectivos diferentes. Uns pela prosperidade, paz e conhecimento, outros pelo domínio do planeta. Como Freelancer, o teu trabalho passa por defender o refúgio dos humanos, Fort Tarsis, com a ajuda da tua armadura, um Javelin, derrotar quem ameaça o lar e descobrir quais os planos dos Dominion, uma facção de humanos que pretende criar um império, subjugando todos ao seu poder.

O lore do jogo é bastante completo, complexo e puxa pela curiosidade. Quem são os Shapers? Como é que os humanos vieram cá parar? Por que é que os Shapers deixaram o mundo inacabado? O que é o Hino da Criação (Anthem of Creation)? Por que é que alguns o ouvem e se encantam com o seu som? Não vou, obviamente, dar spoilers, e uma das partes mais impressionantes em Anthem é que, à medida que jogamos vamos coleccionando pergaminhos, reunindo informação e descobrindo coisas novas nas missões que fazemos, fica tudo guardado na Biblioteca, que é possível aceder a qualquer momento a partir do menu. Nas missões é dada informação, claro, mas se a curiosidade e procura por compreender um pouco melhor a história do jogo for maior, basta consultar os registos e apaixonar-mo-nos pelo lore de Anthem. O menu oferece também informação sobre armas, outros coleccionáveis e, outro ponto positivo, uma revisão dos tutoriais!

A sério, para mim isto foi das melhores coisas. Poder ter toda a informação reunida e, de cada vez que me esquecer de um pormenor num Universo já tão extenso, basta consultar a Biblioteca!

A história em si foi dos pontos que mais me cativou, embora concordo que a Bioware podia ter aproveitado melhor o fantástico lore que criaram e conseguir uma main story mais trabalhada. Não é que seja desinteressante, e as cutscenes foram muito bem conseguidas, mas fica-se com algumas pontas soltas e plot twists por resolver. Mesmo que faça parte de algum plano maléfico da Bioware em estender o conteúdo e lançar mais tarde actualizações com mais história, a história principal devia ter sido melhor estruturada e mais satisfatória. Há formas de concluir capítulos de forma épica e deixar na mesma espaço para mistérios a serem resolvidos mais tarde. Mas se o medo dos curiosos for a falta de história, não se preocupem. É interessante, cativante, boa e faz-nos querer saber mais!

Além disso, os personagens são adoráveis. Cada um tem a sua forma de ser, de falar, de pensar e agir, com a sua história e segredos. Até o nosso. As animações faciais estão bem feitas, e o voice acting é impecável, nada mecânico e ainda ajuda a dar mais valor à história. Temos personagens com quem lidamos directamente ao longo da história, como Owen, Faye, Haluk, Matthias, Yarrow, e poderás conversar com NPCs para descobrir mais sobre o lore, como Lucky Jack, um que menciona lavagem de roupa, outro que se preocupa com a limpeza do Fort… Ok, não os melhores exemplos, mas há histórias mais pequenas engraçadas. Além disso, ao falares com eles, dependendo das respostas que dás (cerca de 2 respostas por conversa, cada uma com apenas 2 opções, nada de muito complexo), irás ganhar pontos de lealdade nas diferentes facções.

As caras familiares para o/a Freelancer, Haluk e Faye

CLASSES

Nesta história, tu, o Freelancer sem nome, és o herói ou heroína (podes personalizar o seu aspecto no início do jogo, embora seja quase inútil, pois mal se vê a sua cara e muito menos o corpo) que salva a reputação dos Freelancers. Os Freelancers usam armaduras especiais, os Javelins, e contam com um arsenal de armas, poderes e upgrades que terão de ser geridos de forma a enquadrarem-se com o estilo de jogo de cada um. Há 4 classes diferentes, começando com o Ranger e, após uma missão, poderão escolher entre Ranger, Storm, Colossus ou Interceptor, quando chegarem a diferentes níveis. A decisão não é definitiva, ou seja, não ficam presos a jogar com a mesma classe ligada a uma mesma gravação. Na mesma gravação, poderão mais tarde escolher a classe com que querem jogar, mediante os desafios que vos esperam, assim que forem desbloqueando as diferentes armaduras, ou conforme vos der na cabeça. E isto é espectacular! Há diferenças definitivas de cada classe, outras dependendo da forma como as usas.

O Ranger é o mais fácil de utilizar, bom nem muito perto dos inimigos, nem muito longe, centrado muito nas armas e granadas, assim como a sua assault launcher no braço e o escudo bolha que pode ser muito útil para reviver amigos. Tem também um ataque melee quase semelhante a uma espada. A sua Ultimate Ability passa por um míssil capaz de focar vários alvos. É um regalo para os olhos ver a aniquilação total de vários inimigos ou um mini-boss com uma Ultimate Ability. E isto é válido para qualquer classe.

O Storm é quase como a versão feiticeiro de Anthem. Enquanto que os outros correm, este paira no ar. É a classe perfeita para quem prefere estar mais longe da acção, com mais foco em armas de longa distância, como snipers ou marksman rifles, usando poderes que pode mandar de qualquer ponto, usando maioritariamente energia, em ataques relâmpago e barreiras de protecção, atirando estilhaços afiados aos inimigos ou congelando-os. A sua Ultimate Ability é das mais fortes, passando por 3 ataques de gelo, electricidade e fogo.

O Interceptor é o mais atlético e ágil quase à Legolas, feito para ataques corpo-a-corpo desde que de forma rápida, passando pelos inimigos e desaparecendo que nem um ninja. O seu ataque melee é o único dos 4 que não aquece, pelo que podemos andar à cacetada sem fim, pelo menos, enquanto a barra de vida não nos meter medo ao virar vermelha. É uma boa companhia para se ter por perto, especialmente se houver imensos inimigos à porta, pois basta activar a Ultimate Ability para atacar a multidão com tanta rapidez que nem sabem o que lhes aconteceu.

O Colossus é o tanque da equipa, feito para andar à porrada no meio da batalha, o mais forte e o único capaz de usar autocannons e grenade launchers, embora não as suas mãos gigantes não segurem as pistolas e SMGs. O seu melee passa por um murro no chão que mata instantaneamente quem estiver por perto, usa canhões e morteiros para aniquilar tudo o que encontra. A sua Ultimate Ability consiste num mega morteiro que dispara até 3 vezes ou até fazer cooldown.

Todo catita, o meu Ranger!

No geral, todas as classes são únicas e parecem corresponder individualmente ao desejo de cada jogador. Além de podermos alternar entre elas uma vez que chegarmos a nível 26, os consumíveis podem ser não só aplicáveis a todos (há uns específicos de cada um e outros universais), como não é preciso fazer escolhas. Pode-se usar um mesmo consumível para todos, mesmo tendo apenas uma “cópia” dele. O mesmo acontece com as armas, o que é simplesmente brutal.

Quanto à customização, ela é bastante satisfatória num lado e escassa por outro. Por um lado, podemos colorir e personalizar as cores das várias peças do nosso javelin, o que é muito fixe, embora os vinyls disponíveis sejam poucos e insatisfatórios. Por outro, não há grande escolha de peças diferentes (capacete, peito, pernas, braços…). São adquiríveis comprando com moedas que ganhamos no jogo. São acessíveis, atenção, mas há uma grave falta de opções. Talvez não fosse má ideia dar aos jogadores a possibilidade de se sentirem especiais e únicos com peças de armadura únicas e mais raras.

JOGABILIDADE

A jogabilidade de cada Javelin corre bem, embora não seja muito fã do Colossus, que para mim é um trambolho lá no meio e super trapalhão, mas é uma das classes mais populares na comunidade, atrás do Storm e do Interceptor. O jogo é simplesmente uma delícia de ser jogado, a viajar pelo ar, água (sim, água!) ou a combater. É um caos, pode-se desviar, voando pelo meio, atirando granadas ou outros poderes abusados. É das jogabilidades mais frenéticas que experimentei, que tanto podem dar em caos e desordem, como em eficácia e táctica, dependendo com quem jogam.

Lindo, maravilhoso, arrebatador, impecável.

O voo tem um sistema específico de arrefecimento. Nenhum Javelin voa pare sempre, pois os propulsores aquecem, mas pode-se impedi-lo passando por cascatas, mergulhando na água e submergir, ou descendo a pique. Quanto mais não seja, somos obrigados a parar e esperar que arrefeça. Tenho também a acrescentar que a mecânica de voo está impecável. Os comandos são super fáceis de utilizar e mesmo em sítios apertados, como cavernas, até nas curvas mais lixadas e espaços mais fechados se consegue voar com mestria.

Há algo que pode gerar alguma confusão, que são os combos. A verdade é que o jogo não apresenta nem explica como isso funciona. Os combos, quando aplicados, tiram muito mais vida aos inimigos se bem combinados. Basta combinar dois poderes/habilidades que tenham determinados símbolos. O circular terá que ser utilizado primeiro, seguido da estrela de 4 pontas. Poderá ser um bug ou não, mas parece-me que os combos ou precisam de um tempo específico entre ambos, ou no meio da confusão afinal não estamos a atirar ao mesmo alvo, ou realmente por vezes eles falham. E posso dizer com quase toda a certeza que é a última opção, pois já o fiz contra mini-bosses isolados.

Um dos problemas de Anthem é haver pouca satisfação nas recompensas. Pode-se fazer 30 por uma linha e não receber recompensas a sério. Outras vezes faz-se pouco e recebe-se milagres. Temos itens comuns, incomuns, raros, épicos, masterwork e lendários. A distribuição do loot, apesar dos esforços da Bioware e actualizações, ainda não é satisfatória nem está bem distribuída. 

As armas no geral são boas, se bem que só ganhei gosto da shotgun com uma em específico, porque a maioria são shotguns lentas demais entre cada cartucho disparado, mas tenho um problema ainda mais grave com a sua organização. Primeiro, em cada missão ou exploração livre, não se sabe que itens apanhamos. Ou seja, se apanhar um item incomum, um raro e um épico, não sei se se refere a armas, poderes ou consumíveis, e só o sabemos quando voltamos ao lobby. Depois, embora haja filtros, a organização das armas e poderes podia ser bem melhor. É uma confusão quando queremos seleccionar as diferentes armas semelhantes que temos no meio de tanto loot que ganhamos. Isto porque o seu aspecto visual não ajuda. As armas não são customizáveis e têm todas o mesmo aspecto monocromático. 

No início de cada missão, além de se poder escolher a dificuldade, convidar amigos e escolher se a party é privada ou pública, pode-se adicionar pequenas ajudas, como armadura mais resistente ou capacidade de infligir mais dano. Mas nada disto pode ser ganho em loot, e de cada vez que queremos experimentar umas ajudinhas (que expiram sempre por cada utilização), temos que fazer craft. Sinceramente, com a pouca organização e ainda o facto de não ganharmos nada nem haver nada que nos puxe a utilizar isto, esta opção acaba por cair no esquecimento. Tudo o que é possível construir graças aos recursos que coleccionámos é também desorganizado. Uma completa confusão.

MODOS DE JOGO

Em Anthem há vários tipos de missões. As Prioritárias, as Missões de Agentes, os Contractos, os Strongholds e o modo Freeplay. As Prioritárias referem-se àquelas que acompanham a história principal e, mais tarde, desafios que irão tornar o teu Freelancer mais respeitado/a. As segundas, são como side quests, e as terceiras side quests ainda de menor importância. Ambas são dadas por membros das 3 facções com quem ganhas lealdade (Arcanists, Sentinels, Freelancers). Na verdade, a diferença entre as duas é pouco perceptível, mas digamos que os contractos tornam-nos moços de recados em troca de umas recompensas. Estas últimas são também geradas de forma aleatória, pelo que não contribuem propriamente para a história do jogo, ao contrário das Missões de Agente, que consistem em histórias secundárias. Por vezes acabam por se complementar.

Mas que bicho feio! Super fácil de matar em Normal. Mas a partir de Hard as coisas começam a doer…

Os Strongholds são as missões mais difíceis com inimigos mais duros, mini-bosses e um boss no final. Em cada ronda recebe-se itens como recompensa. Já o Freeplay é o único modo que permite que se percorra a extensa área explorável em Anthem, onde se reúne recursos, enfrenta inimigos, procura coleccionáveis e se completa Eventos do Mundo, também gerados de forma aleatória. Neste modo só encontrarás mais 3 pessoas, dado que cada servidor foi feito para apenas 4 Freelancers. Tanto os Strongholds como o modo Freeplay são os únicos que requerem que sejam jogados com 4 pessoas.

As pequenas missões nos contractos e os Eventos do Mundo no modo Freeplay não são tão repetitivas quanto possa parecer. Primeiro, há vários tipos de ameaças: Dominion, Scar, Outlaws, bosses, vida selvagem. Depois há vários tipos de tarefas, como resgatar pessoas, activar runas, derrotar bosses, salvar pessoas presas em Striders (veículo gigante que me lembra os Walkers de Star Wars), fazer scans, entre vários outros objectivos, que dificilmente têm lugar nos mesmos sítios com os mesmos inimigos e ainda o mesmo objectivo. A única coisa da qual sinto falta no modo Freeplay é não haver um ou outro ponto de fast travel. Pode-se começar em vários, mas uma vez que estamos lá fora, é preciso voar para todo o lado e, até se decorar tudo, anda-se um bocado à nora.

Somos bons!

Seja como for, em Anthem há muito a fazer. Para além disto, há também desafios diários, semanais e mensais. Felizmente não é preciso aceitá-los para receber as suas recompensas. O jogo conta o teu progresso desde que começas a jogar. Só gostaria que fosse mais fácil distinguir os ícones, que são quase todos amarelos, apenas possuindo um design diferente. Torna-se mais difícil procurar num mapa do Fort se há alguém para falar sobre uma missão ou não.

Anthem não tem modo PvP, e provavelmente nunca terá, pelo menos durante um bom tempo (se o decidirem fazer). Primeiro, não precisa, segundo, com o poder estúpido que os Freelancers têm, ver uns contra os outros seria algo estranho e de doidos.

ÁREAS

Em suma, Anthem resume-se a 4 áreas principais: o mundo exterior, Fort Tarsis (base), o Forge (onde se edita o freelancer) e a launch bay. O último é provavelmente o mais desnecessário, servindo apenas para quando se termina uma missão e se quer começar logo outra. E o único fora o exterior onde podem estar pessoas aleatórias no mesmo lugar.

Onde é que eu ia?… Bom, ao menos o design do mapa está fixe!

Em Fort Tarsis há várias zonas. O local onde se entra no Freelancer, o mercado, as respectivas divisões de cada um dos Agentes, um bar, um lugar ao ar livre com uma fonte e imensas pessoas com quem falar, e outros NPCs apenas a marcar presença como figurinos. Fort Tarsis foi tratado, graficamente, da mesma forma que o mundo exterior, com atenção ao detalhe, à luz e à vida que aquele pequeno refúgio tem (pelo menos o pouco que podemos explorar para já). Tudo parece natural. Aliás, não tudo. Apenas algumas pessoas falam entre as outras, e se nos aproximarmos de certos grupos de pessoas, nem burburinhos imperceptíveis se consegue ouvir. Inclusive, vê-se perfeitamente as bocas a mexerem-se mas nem um som a sair delas. Depois, quando se clica para correr, mal se sente que o nosso personagem corre de facto.

GRAFISMO E BANDA SONORA

Como já deu para perceber, em termos de gráficos o jogo está soberbo. Com alguma falha aqui e ali, rara, em que vemos alguma pedra a carregar ou trespassamos estranhamente por troncos de árvores maiores que o nosso Freelancer. O trabalho de luz e cor está fantástico, seja em que área for. A chuva, trovoada, vento, e água estão muito bem feitos. É um regalo para os olhos. O som está também espectacular e noto-o especialmente quando mergulho na água com o Freelancer. A música não me chama propriamente à atenção, talvez por não ter sido marcante na história, mas o tema de entrada e o término de uma aventura são tão únicos que ouve-se e sabe-se que no ecrã está a passar o jogo Anthem.

As cutscenes estão fabulosas!

CONCLUSÃO

Está longe de ser perfeito e tem falhas que é impossível ignorar, mais uma lista de bugs extensa que é preciso corrigir. Uma das queixas mais frequentes são os loadings, por serem longos. Isso depende de vários factores para além dos servidores: conexão à Internet, consola utilizada, posição em que a consola está e se esta tem espaço para “respirar”. A coisa mesmo irritante com os loadings é eles aparecerem até para entrar numa sala e sair dela, ter que ver o ecrã de loading por um segundo é simplesmente idiota. 

Poderia enumerar uma data de bugs que me aconteceram: por vezes a barra de vida nos inimigos não aparece, por vezes eles desaparecem numa ronda antes de os matarmos, por vezes há portas que nos bloqueiam se uma parte da party avançar e a outra ficar para trás, combos nem sempre funcionam, alguns problemas de som. Já tive um NPC a falar comigo virado de costas e aos tremeliques, já vi um inimigo a não reagir ao fogo que levava e a deslizar para fora de forma mecânica, já apareci numa zona sem cabeça Mas estes ainda dá para rir e ter até boas memórias.

Já os problemas sérios que mencionei e ainda outros, como os respawns estarem mal pensados, precisavam de ser revistos. Uma vez, depois de morrer e levar com um loading, fiz respawn fora da zona da batalha, apareceu-me o aviso para chegar ao local, fiquei sem tempo e tive mais um loading para suportar quando podia ter feito respawn mais perto, não? O tempo para juntar à equipa quando alguém se adianta demasiado é demasiado curto, mesmo que no último update tenham aumentado de 5 para 10 segundos, continua a ser ridículo. E devia haver forma de avisar os parceiros que precisamos de ser revividos, pois sem comunicação, é difícil apercebermo-nos quando alguém está down.

A luz que entra nas cavernas é fenomenal…

Anthem não é tão mau como pintam. Tem muitos mais pontos positivos que negativos, e não merece viver na sombra dos outros MMORPGs das consolas, muito menos ser comparado a eles, dado que é um novo Universo a ser-nos apresentado, um incrível que estou ansiosa por explorar mais e na expectativa em relação aos próximos passos da Bioware, que espero suportar o jogo com conteúdo novo e melhorias durante bastante tempo. Entretanto, continuarei, pois apesar de tantas horas, ainda tenho tanto para fazer!

RESUMO

Prós
• Gráficos fenomenais
• Jogabilidade impecável
• História e lore cativante
• Personagens interessantes
Voice acting genuíno
• Animações muito bem-feitas
Cutscenes muito fixes
• Há sempre algo para fazer, dando centenas horas de jogo sem ser repetitivo
• Pode-se trocar de Javelin para usar no mesmo save e ainda criar 5 modelos de cada
• Armas e componentes podem ser partilhados entre Javelins
• Som brutal
• Música
• Sistema de voo sem falhas
• Coleccionáveis espalhados contam pedaços da história
• Customização das cores dos Javelins

Contras
• Bugs ainda por corrigir
• História principal foi rápida e mal aproveitada
Loadings a mais
• Falta de organização nas armas, poderes e consumíveis
• Falta de opções de personalização das armaduras dos Javelins
• Falta de personalização de armas e de armas únicas
• Tempo para juntar à equipa a meio da missão é ainda demasiado apertado
• Loot mal distribuído
• Ver pessoas a mexer a boca e não sair um som é estranhíssimo

Pontuação final: 8/10

Um jogo com premissa boa ainda pouco explorada, com espaço para crescer e muitas razões para ser amado, que provavelmente cairá na sombra da influência dos media.

A equipa do Xbox PT Dummies agradece à Electronic Arts pelo envio do código do jogo para a realização desta review.

5/5 (3)

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Fundadora do projecto Xbox PT Dummies, Escritora, Reviewer e Designer

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