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O Julgamento de Battlefield V

Os Dummies é que Sabem!

Antes de começar, quero referir que estas são as minhas opiniões. Não são reflexo dos Dummies. Aqui, felizmente, somos muitos e provenientes dos mais variados contextos. Cada um terá a sua opinião e, aquela aqui apresentada, não deverá ser generalizada a um grupo de pessoas que trabalha todos os dias para vos entregar conteúdos de qualidade. Conto convosco para uma discussão saudável e, caso não consigam, lembrem-se, foi o Nuno Soares que escreveu e mais ninguém.

Ao contrário do que possa parecer, este texto de opinião será em defesa do Battlefield V. Não uma review (tenho colegas mais competentes nessa área), mas sim uma defesa. Vejam isto tipo o advogado dos senhores da operação Marquês. É quase certo, falta provar, que as pessoas cometeram os crimes, mas alguém tem que $e chegar à frente. Por essa razão, no Battlefield V contra o Ministério Público, posso muito bem fazer esse papel. Não recebi qualquer comissão ou patrocínio para o fazer. Neste caso, também eu acredito na inocência do meu cliente.

Acusação número 1 – O jogo podia muito bem ser uma expansão do Battlefield 1

Do ponto de vista histórico, a Segunda Guerra Mundial foi consequência do final da primeira. Logo, é uma sequela e não uma expansão. As mecânicas do jogo estão também diferentes. Simples ações como o ligeiro atraso dos revives, o tempo de reação para entrar e sair de veículos e as construções de postos defensivos tornam o jogo numa experiência nova.
Para mim, Battlefield V revitalizou a série, mais do que Battlefield 1 que não me convenceu. Se isto não é suficiente para vos convencer então pergunto, o que é o Battlefield 4 ao Battlefield 3?

Acusação número 2 – O Jogo é uma bela treta

É provavelmente o jogo que melhor me lembra Bad Company 2, o melhor Battelfield de sempre diga-se de passagem. Com uma diferença, este funciona melhor no PC (onde jogo). Sim, jogo Battlefield no PC e, com exceção do já referido Bad Company 2 (Xbox 360), não consigo jogar noutra plataforma. Ok, este ponto não é uma defesa, mas qualquer referência ao Bad Company 2 (outra vez), garante imunidade, certo malta? Malta?

Acusação número 3 – As mulheres não têm lugar no jogo

Este é, provavelmente, o tema mais sensível, mas não devia. A verdade é que, durante a guerra, centenas de milhar de mulheres participaram nas forças armadas. Outras tantas apoiaram os esforços do seu país em fábricas. Os papeis eram sobretudo de apoio e, com exceção da União Soviética, estavam proibidas de participar em combate ativo. Não quer isto dizer que não estivessem sujeitas a combate. Na Roménia, uma das ambulâncias aéreas mais bem sucedidas durante a guerra era comandada por mulheres. Durante a batalha por Inglaterra, as mulheres operavam artilharia Antiaérea. Estes e muitos outros casos de participação de mulheres são exemplos aos dias de hoje.
O jogo não peca por apresentar mulheres em combate ativo. No contexto histórico e do jogo, até era provável que aquela injeção no rabinho para o sagrado revive, fosse dada por uma mulher. Aquela antiaérea que finalmente para o JU-88 de fazer estragos, fosse operada por uma mulher.
A sociedade é que peca, primeiro porque por um lado, há pessoas que se vão a aproveitar da forma como o jogo apresenta a participação das mulheres, para tentar reescrever a história. O combate ativo foi, na esmagadora maioria, executado por homens. Nenhuma obra de entretenimento deve ser usada como fonte, para aquilo que realmente aconteceu. Leiam um livro, ou dois, sobre as fontes em que essa obra se baseia.
Por outro lado, temos pessoas que ainda acham que a guerra é apenas para machos de barba rija. A Segunda Guerra Mundial foi além fronteiras, géneros, idades, cor e religião. Milhões de pessoas morreram, no segundo episódio da guerra que deveria ter acabado com todas as guerras. No entanto, em vez de lições úteis a retirar, como: – “Qualquer ponto de vista extremista não leva o mundo a lado nenhum” – temos pessoas a eleger Trumps, Bolsonaros, Maduros, Pings e companhia.
Se acho que o jogo toma muitas liberdades criativas no seu contexto? Acho. Mas só porque é uma má lição de história, não quer dizer que seja um mau jogo.

Acusação número 4 – O jogo é uma má lição de história

Ao longo das suas quatro poderosas histórias, o jogo dá-nos a conhecer alguns capítulos (de forma muito solta) de histórias que até aqui eram pouco conhecidas, ou que ninguém se importou em conhecer.
Para mim e eu já ando nos estudos deste infeliz episódio da nossa história há muito tempo, foi um choque conhecer a realidade dos combatentes senegaleses e outros, que foram afastados das forças armadas aquando a libertação de Paris, para garantir a “vitória branca”.
O desespero alemão na defesa de Berlim é também algo que até aqui não importava. A verdade caros leitores é que nestas coisas, a história é escrita pelos vencedores. Ninguém se importou com os campos de concentração americanos para japoneses, ninguém quis saber do que os franceses fizeram aos combatentes das suas colónias. Ainda que bem documentado, para muitas mentes de QI reduzido, o holocausto nunca aconteceu. O jogo faz-nos lembrar de que, ao final do dia, somos todos seres humanos. E agora? Ainda vos custa jogar um jogo só porque tem mulheres, pinturas na cara e armas douradas?

Veredicto

Eu sou apenas o advogado. Deixo para vocês, a comunidade, a decisão final. Tenho a certeza que vamos ficar num impasse e o meu cliente vai continuar em liberdade.

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